Finalmente a série 3 motivos para ler está de volta no Estante da Nine assim como indicações de leitura de livros, contos e/ ou poesias que eu li para o
projeto de clássicos brasileiros e de língua portuguesa. A ação começou no ano passado com recomendação de
Cancioneiro de Fernando Pessoa e
Mãe de José de Alencar. O papo hoje é sobre
O cemitério dos vivos de
Lima Barreto, livro incompleto do autor e publicado postumamente.
Uma rápida pesquisa entre leitores e perfis de Lima Barreto na internet indica que O cemitério dos vivos poderia ser uma obra com traços biográficos, já que o autor teve problemas de alcoolismo, que agravaram consideravelmente sua saúde.
A leitura, apesar de demorada e espaçada,
foi interessante e perturbadora, por isso e apesar da demora, o livro merecia um registro e uma indicação no
Estante da Nine.
1. CENÁRIO
É impossível ficar indiferente ao cenário do livro. Lima Barreto retrata um hospital psiquiátrico que funciona como um depósito de humanos, logo o titulo sugestivo fica claro nas primeiras páginas. Todo tipo de gente para nesse lugar, que tem regras, mas tantas exceções que parece impossível qualquer tipo de civilidade. O ponto alto é que mesmo num lugar tão caótico é fácil encontrar hierarquia, amizade, submissão e decadência, a mesma organização social de uma comunidade, a do livro formada pelos excluídos sociais.