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18 de junho de 2023

A comédia humana de William Saroyan


A comédia humana
Autor: William Saroyan
Tradutor: Alex Viany
Editora: Abril Cultural
Edição: 1980
Páginas: 268
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Uma sequência de quadros simples, cotidianos, que emolduram as experiências humanas e de trabalho do adolescente Homero Macauley, estafeta de uma agência postal e telegráfica. Um retrato pungente, poético, de uma pequena cidade da Califórnia e o drama de um jovem sensível que se vê de repente chefe de uma família dizimada pela guerra. Algumas das páginas mais tocantes da moderna ficção americana.

 

13 de fevereiro de 2022

Lendo Atos dos Apóstolos (e como isso mudou minha visão sobre eles)

Lá em meados de janeiro eu comecei o que era para ser um vlog de leitura sobre Atos dos Apóstolos. Os primeiros dias funcionaram bem, mas depois com a demanda de trabalho enorme (ainda bem depois de dois anos péssimos), aliado a uma gripe porreta a coisa todo perdeu o rumo. Conclui esse trecho domingo passado (6 de fevereiro) e finalmente sentei para escrever sobre a experiência. O projeto do Novo Testamento começou em 2017 e desde 2018 está parado, então espero que esse ano seja o da continuidade (dele e de outros projetos de leitura).

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Durante o início do projeto de leitura do Novo Testamento e nos primeiros quatro grandes evangelhos não simpatizei com os apóstolos principalmente porque eles mostram incertezas em muitos momentos importantes, mesmo presenciando diversos milagres de Jesus. Ressalto com frequência que meu objetivo ao ler a bíblia não é o de estudo religioso, mas sim para conhecer a história em um momento maduro da vida. Ao mesmo tempo, os apóstolos foram pessoas como todos nós, que desejam mudanças, mas têm medo. Nesse trecho do Novo Testamento posso dizer que entendo e admiro a jornada que cada um deles passou.

24 de julho de 2018

O reforço de algumas lições no evangelho de João

Depois de um hiato de seis meses, que eu jurava não ser mais de dois, estou de volta no Estante da Nine para comentar sobre o projeto de leitura do Novo Testamento. Para os leitores que chegaram por aqui agora vale lembrar que a minha experiência com a bíblia não tem como objetivo o estudo religioso, mas o de conhecer uma história que influencia pessoas há gerações. Já comentei sobre os três evangelhos anteriores e é hora de fechar os quatro grandes livros do compilado com João.


A volta para a leitura me lembrou o quanto toda a história tem passagens pesadas e tristes. O que posso destacar da minha experiência com O evangelho segundo João é que é extremamente importante a compreensão de que Jesus foi enviado por Deus para a Terra e é capaz de feitos incríveis graças a essa ligação e esse símbolo é o que determina quem acredita ou não na sua palavra, e portanto quem será salvo - terá a vida eterna, e quem não.

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As viagens de Jesus, os muitos questionamentos sobre ser o filho de Deus, discípulos céticos, milagres para pessoas ignoradas e manifestação em templos e lugares públicos também são destaques da perspectiva de João, que tem o filho de Maria e José, acima de tudo, como centro dos acontecimentos, porque é fundamental entender o que ele representa e o que custou desafiar os costumes para libertar muitas pessoas da submissão e de uma vida infeliz.

No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus.
João - capítulo 1, versículo 1

Deus nunca foi visto por alguém. O filho unigênito, que está no seio do pai, esse o revelou.
João - capítulo 1, versículo 18

O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.
João - capítulo 6, versículo 63

Provavelmente entre os quatro grandes evangelhos esse foi o que mais gostei do texto, da forma como a história é contada. Em muitos momentos parecia um poema, em outras uma análise e ainda uma história de ficção histórica. Apesar dos elementos conhecidos, um dos pontos mais interessantes da experiência com a bíblia até aqui é justamente as perspectivas diferentes dos evangelhos para a mesma história, elemento que me fascina como pessoa, leitora e jornalista.

Beijos!

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20 de janeiro de 2018

O parentesco de João e Jesus e mais detalhes da história no evangelho de Lucas

O final de semana chegou e com ele a possibilidade de organizar a bagunça e colocar algumas pautas em dia. Hoje vou compartilhar no Estante da Nine a minha experiência de leitura com o terceiro livro do novo testamento, O evangelho segundo Lucas, que eu achei semelhante a Mateus em muitos sentidos e tenho a impressão que Marcos, por enquanto, é meu livro favorito.

E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira.
Lucas - capítulo 3, versículo 11

O evangelho segundo Lucas foi uma leitura excelente principalmente porque no primeiro capítulo conta detalhes da família e vida de João Batista, um dos personagens mais representativos da história. Eu desconhecia o parentesco entre ele e Jesus e também imaginei que os personagens tivessem idades distantes, quando na verdade o nascimento de ambos é próximo, com poucos meses de intervalo. É interessante observar como  o anjo aparece para Isabel, mãe de João, e como Deus agracia a família com o milagre do filho, apesar da idade avançada do casal, e também como havia planos para o João desde o começo, assim como para Jesus.

O batismo de arrependimento é novamente explicado n'O evangelho segundo Lucas, e até por destacar a história de João Batista faz todo sentido. A linhagem de Jesus aparece novamente, e é contada, desta vez, dos dias presentes até o primeiro homem da família. Mais uma vez as analogias e parábolas sobre a natureza servem para explicar lições importantes que discípulos e seguidores parecem ignorar no decorrer das andanças de Jesus (ou não entender direito).

Dizendo: É necessário que o filho do homem padeça muitas coisas, e seja rejeitado dos anciãos e dos escribas, e seja morto, e ressuscite ao terceiro dia.
Lucas - capítulo 9, versículo 22

O livro de Lucas retrata cenas que o leitor já conhece dos evangelhos anteriores, mas com detalhes específicos e, mais uma vez, através de outro ponto de vista. O interessante da experiência de leitura do novo testamento até agora é a riqueza da história, que além de retratar a vida de um homem incomum para época, mostra a trama política e econômica por trás da sociedade antiga, as relações de poder, o papel da religião e a dominação de outras culturas.

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Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?
Lucas - capítulo 14, versículo 28

João é o quarto e último dos evangelhos e estou curiosa pelo que vai revelar de inédito e o que vai reforçar da história. Lucas foi interesse e peculiar e apesar de extenso li em dois dias, nas poucas horas que dediquei a leitura. Os detalhes são importantíssimos para dar o contexto de certos milagres de Jesus e contar a história de João Batista sem dúvida foi o ponto alto da minha leitura. Até agora o novo testamento tem sido um projeto cheio de surpresas e reflexões importantes. Até o próximo!

Beijos!

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20 de dezembro de 2017

O evangelho de Marcos e mais sobre a jornada de Jesus

O evangelho de Marcos foi uma das minhas leituras da primeira semana de dezembro e hoje vou compartilhar no Estante da Nine como foi a experiência com o segundo livro do novo testamento. Contei mais sobre o início dessa jornada na publicação Algumas considerações sobre O evangelho segundo Mateus, e embora eu deva ressaltar novamente que a leitura da bíblia não tenha caráter religioso, tem sido em muitos sentidos esclarecedora e surpreendente

E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os são não necessitam de médico, mas sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento.
Marcos - capítulo 2, versículo17

Em muitos sentidos eu gostei mais d'O evangelho segundo Marcos em comparação ao de Mateus. Enquanto o primeiro é praticamente um livro de ensinamentos e regras, nesse segundo a história parece mais próxima de Jesus, o acompanhando nas peregrinações e no contato com o povo, mostrando por outro ponto de vista como foram os milagres e os pedidos que Jesus fez aos seus fiéis e discípulos. 

O evangelho de Marcos também me deixou contrariada com os discípulos e os seguidores de Jesus. Algumas passagens são exatamente as mesmas do livro de Mateus e aqui também existe muita dúvida por parte dos seguidores do profeta. Ao mesmo tempo que veem os milagres, apóstolos e fieis mantém sempre uma dúvida no ar, sempre a incerteza sobre Jesus ser ou não o filho de Deus, como se a cada segundo fosse necessário uma prova, e no momento crucial o deixam sozinho, como sabemos.

E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim.
Marcos - capítulo 7, versículo 6

Menor que o anterior, O evangelho de Marcos foi uma leitura rápida e empolgante, principalmente porque visualizei os cenários por onde Jesus passou, bem como as cidades e até mesmo a multidão de forma mais clara que no evangelho anterior. Novamente o destino de João Batista me deixou chocada, principalmente pela vingança e brutalidade. Ver a descrença, a traição e a negação entre os apóstolos me fez pensar, como alguns de vocês me disseram, sobre nossas próprias imperfeições e medos.

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É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.
Marcos - capítulo 10, versículo 25

O evangelho de Marcos reforça a mensagem de Jesus de que devemos fazer o bem, sem esperar recompensas ou créditos, mas sim pela paz, empatia e felicidade coletiva. Também ressalta como é importante nos conhecermos e acima de tudo pensar sobre escolhas, nos caminhos que seguimos e o tipo de mensagem que deixamos entre as pessoas que encontramos. Independente da religião, ou o fato de não ter uma como é o meu caso, não impede que ensinamentos e mensagens da bíblia sejam aplicados no dia a dia. Até aqui a experiência tem sido no mínimo peculiar. E esclarecedora. Até o próximo livro.

Beijos!

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3 de dezembro de 2017

Algumas considerações sobre O evangelho segundo Mateus

É totalmente por acaso que começa mais um especial de leitura no Estante da Nine. Eu tinha a intenção de ler a bíblia em algum momento do futuro, mas não imaginei que aconteceria tão cedo. Encontrei algumas edições de bolso na casa da minha mãe e trouxe para minha biblioteca. Na semana 43  do projeto Leitura todo dia eu comecei e terminei O evangelho segundo Mateus, primeiro livro do novo testamento, e no post de hoje eu vou compartilhar algumas coisas que me surpreenderam na experiência. Minha leitura da bíblia não tem finalidade religiosa, mas sim a de conhecer uma das histórias que mais influenciou (e influência ainda), nosso dia a dia há gerações. Pretendo ler o antigo testamento em 2018 e conto mais por aqui.

E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o.
Mateus - capítulo 17, versículo 5

O evangelho segundo Mateus é a história de Jesus, do nascimento, até mesmo antes, a sua morte e ressurreição. Desde a sua linhagem, umas das informações mais relevantes da minha experiência de leitura porque nunca tinha entendido direito o sangue real, até os momentos finais, os acontecimentos principais, as lições, os mandamentos, o pai nosso e toda a base da doutrina pautada no filho de Deus está em Mateus. Quando criança, durante a época de catequese, li fragmentos da bíblia, mas nunca um livro inteiro, então muitas coisas contadas por Mateus foram uma surpresa.


A peregrinação de Jesus e os milagres foram dois pontos que me marcaram logo nos primeiros capítulos. Isso porque eu imaginei que as dádivas fossem pessoais e privadas, sempre pensei em algo mais introspectivo, quando na verdade Jesus curou multidões, com outras centenas de pessoas como testemunhas. As viagens foram mais frequentes do que eu podia imaginar. Na verdade, tenho uma dificuldade em associar o período histórico, que na verdade já tinha religião, política e comercio bem estabelecidos, com a história contata na bíblia, então foi uma surpresa, ao mesmo tempo que algo plausível, as andanças de Jesus.

Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau, porque pelo fruto se conhece a árvore.
 Mateus - capítulo 12, versículo 33

Alguns ensinamentos são repetidos frequentemente n'O evangelho segundo Mateus e um deles, aliás bem pertinente, é o de não acreditar em falsos profetas. Parece que desde sempre na história da humanidade pessoas poderosas ou interesseiras usaram da religião e da política para dominar e segregar outros povos e culturas e esse é um aspecto bem relevante no livro, já que é citado em vários capítulos, e também existe um contexto de insatisfação social das pessoas com a vida precária da época, afinal Jesus também pregava pela liberdade e encontrou tantos adeptos no caminho porque certamente existia nessas populações o desejo de mudar.


Um ponto que me chamou atenção, dessa vez negativamente, foi o envolvimentos dos apóstolos. Mais uma vez, e provavelmente ainda quando criança, eu formei uma imagem totalmente errônea dos seguidores de Jesus. O evangelho segundo Mateus me deixou com a sensação de que aqueles homens na verdade não eram tão fieis, ou não sabiam bem o que estavam fazendo ali, inclusive Jesus questiona em vários momentos a fé deles, mas eles continuam a afirmar que são seguidores do filho de Deus. No final, como o próprio profeta sabia, ele acabou sozinho no julgamento. O destino de João Batista me chocou mais do que eu esperava porque eu não sabia que a história da bandeja e da cabeça era literal. E é mesmo.

O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más.
Mateus - capítulo 12, versículo 35

Imagino que muitas coisas serão esclarecidas e contadas nos próximos livros e espero seguir, aos poucos, nessa leitura. Jesus, é claro, sabia de tudo o que teria que passar e parece que se preparou muito bem para isso. E não é como se ele não sofresse, ele pede ao pai porque da provação sim, como não poderia deixar de ser, afinal Jesus foi condenado pelo próprio povo que tentou (conseguiu?) salvar. Eu me considero agnóstica e não vejo a bíblia com um livro real no sentido da história ser literalmente real ou como um livro de regras, mas sem dúvida a leitura de O evangelho segundo Mateus foi enriquecedora e esclarecedora em muitos sentidos, valeu a experiência sem dúvida. E vocês, já leram a bíblia?

Beijos!

Fotos: Nine Stecanella

4 de setembro de 2017

O caçador de pipas de Khaled Hosseini




O caçador de pipas
Autor: Khaled Hosseini
Editora: Nova Fronteira
Edição: 2005
Páginas: 365
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Este romance conta a história da amizade de Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970. Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após desperdiçar a última chance, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas vinte anos depois Hassan e a pipa azul o fazem voltar à sua terra natal para acertar contas com o passado.

6 de outubro de 2016

A profecia de Samsara de Leticia Vilela




A profecia de Samsara
Autora: Leticia Vilela
Editora: Gutenberg
Edição: 2014
Páginas: 256
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Quando o príncipe do Clã mágico dos Devas é assassinado, as suspeitas recaem sobre sua própria mestra, Draupadi. O irmão do príncipe, o jovem Arjuna, jura vingar sua morte e persegue a criminosa pelos reinos mágicos da antiga Índia. Draupadi inicia sua fuga ao lado de Asti, uma humana a quem chama de filha, que guarda um segredo em seu corpo desde que nasceu - uma maldição ancestral em forma de tatuagem, da qual procura desesperadamente se libertar. Todos os fatos fazem os destinos de Arjuna e Asti convergirem definitivamente, o que torna inevitável a concretização da temível 'Profecia de Samsara'.

15 de fevereiro de 2013

A travessia de William P. Young





A travessia
Autor: William P. Young
Editora: Arqueiro
Edição: 2012
Páginas: 240
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Um derrame cerebral deixa Anthony Spencer, um multimilionário egocêntrico, em coma. Quando “acorda”, ele se vê em um mundo surreal habitado por um estranho, que descobre ser Jesus, e por uma idosa que é o Espírito Santo. À sua frente se descortina uma paisagem que lhe revela toda a mágoa e a tristeza de sua vida terrena. Jamais poderia ter imaginado tamanho horror. Debatendo-se contra um sofrimento emocional insuportável, ele implora por uma segunda chance. Sua prece é ouvida e ele é enviado de volta à Terra, onde viverá uma experiência de profunda comunhão com uma série de pessoas e terá a oportunidade de reexaminar a própria vida. Nessa jornada, precisará “enxergar” através dos olhos dos outros e conhecer suas visões de mundo, suas esperanças, seus medos e seus desafios. Na busca de redenção, Tony deverá usar um poder que lhe foi concedido: o de curar uma pessoa. Será que ele terá coragem de fazer a escolha certa?

A travessia é uma ficção cristã/ religiosa/ espiritual (depende mais do ponto de vista de cada leitor do que da classificação em si) escrita por William P. Young, também autor de A cabana, best-seller internacional. Recebi a prova de leitura da editora Arqueiro (minha primeira em quase quatro anos de blog) e compartilho com vocês agora minhas impressões sobre o livro. 

Acho importante escrever logo no inicio que A travessia é um livro para quem gosta do tema. Certamente se o assunto não chama sua atenção, esta não é uma leitura para você. Fiquei algum tempo sem ler nada do gênero e o livro serviu para me lembrar de alguns debates internos que nunca conclui. Fiquei bem envolvida com o início da narrativa, mas da metade para o final o rumo não foi aquilo que eu esperava. Porém, isso é muito pessoal e vai envolver suas crenças (caso você tenha alguma).

Foto: Nine Stecanella

Em A travessia conhecemos Anthony Spencer um empresário bem sucedido, rico e cético que tem a certeza de estar sendo perseguido. Com essa convicção, o personagem repassa seu testamento várias e várias vezes, avaliando quem merece ou não parte do seu império. Através destas reflexões percebemos como o protagonista é inseguro e como a falta de confiança em outras pessoas interferiu na sua personalidade. 

Porém, mesmo com um aparato de segurança incrível, Anthony é pego. Ferido, é levado para o hospital em coma. E então começa sua travessia. Embora óbvio, muitos autores usam o coma como uma fase de transição (não apenas em livros, mas em séries e filmes também). Neste caso, William P. Young coloca seu protagonista diante de uma paisagem exuberante e com vários caminhos a seguir. 

A travessia é daqueles livros que alguns pontos do enredo precisam ficar ocultos para que cada um conduza a leitura da forma mais pessoal possível. O que mais gostei foi o fato de Anthony não acreditar imediatamente no que sua visão e a própria situação sugerem. Especialmente porque ele foi praticamente cético a vida toda. Ele reluta muito em encarar a situação como de fato ela é e sempre procura pensamentos lógicos para explicar o que está à sua frente (tudo isso acontecendo “dentro” de seu coma). 

O livro também traz alguns debates pontuais sobre crença, sobre Jesus, Deus e o Espírito Santo (para que leu A cabana, vai encontrar várias referências), sobre reconhecer defeitos e valores. Por momentos o tom irônico do texto destoou do assunto e isso me deixou um pouco incomodada. Também há uma mistura de crenças diferentes no livro, como se o autor quisesse justificar que independentemente dos meios, o importante é perceber o que tem valor no final. 

Pessoalmente não gostei do desfecho final. Alguns elementos são interessantes e novos personagens ganham espaço, mas senti uma quebra na ideia principal do enredo (a ficção mesmo, a história que ele criou como pano de fundo). O final do livro em si é ok. Não foi o que eu esperava, mas foi coerente com as pistas que o autor escreveu nas últimas páginas. Se você gostou de A cabana, vale ler A travessia.

Beijos!

*Livro recebido da editora Arqueiro
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