Infância dos mortos de José Louzeiro

8 de maio de 2019




Infância dos mortos
Autor: José Louzeiro
Editora: Abril Cultural
Edição: 1984
Páginas: 234
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Esmagados pelo peso de uma sociedade que permite esse quadro de abandono e violência, milhões de menores de até cinco anos lutam desesperadamente para sobreviver nas ruas das grandes cidades. Infância dos Mortos, que serviu de base ao filme Pixote, a Lei do Mais Fraco, de Hector Babenco, conta a trágica história de um grupo de garotos delinquentes que vivem entre si valores de amizade, companheirismo e sonhos infantis.

Infância dos mortos retrata a vida de um grupo de meninos em situação de rua e o tipo de sociedade que trata crianças e adolescentes como algo descartável ou como um problema irrelevante. Cenas de abuso, violência e descaso são frequentes e dão peso ao enredo, que aborda assuntos ainda pertinentes apesar dos quase 50 anos (a história retrata a década de 1970).

A fidelidade entre os garotos é um dos temas que salta aos olhos nas primeiras páginas, assim como o apoio único de pessoas também a margem da sociedade, como as prostitutas, que em determinado ponto do livro também ganham espaço no enredo, como ponto de apoio, acolhimento e referência dos meninos.


As razões pela situação também são diversas como negligência familiar, abuso ou violência por parte de parentes, conhecidos ou tutores. Não há interesse do poder público em acolher as crianças e para os demais os garotos são apenas objetos de uso, vítimas do sociedade e burros de carga, usando palavras simples e não ofensivas, o livro é cru.

A violência, o descaso e a revolta são partes integrantes de cada garoto e um dos principais temas do enredo, já que essas crianças e adolescentes não veem motivos para mudar de vida, eles não tem nenhuma experiência ou expectativa que algo bom pode acontecer para quem mora na rua, já é conformidade, fato estabelecido.


Como todo enredo parece indicar a vida marginal é a única opção viável e mesmo nela, e com certo código de conduta, os meninos caem em muitas armadilhas. A descrença não é a toa, já que os meninos perambulam pelas ruas há anos e nunca foram acolhidos por ninguém, pelo contrário, apenas assediados por pessoas com intenções nada boas.

Não é novidade que o crime usa trabalho infantil e a prática retratada no livro é o princípio de algo que hoje cresceu, é complexo e está entranhado na sociedade. O envolvimento com o submundo leva as crianças a um caminho destrutivo e sem volta e sem querer entregar muitos segredos, não é o tipo de história feliz e com final redentor,ok?!




Para terminar, a força policial e outros órgãos de justiça públicos são representados negativamente do início ao fim, ideia que reforça como o abuso de poder está enraizado em certas instituições e esse certamente é um tema que continua extremamente atual, já que a atuação da polícia segue dividindo a sociedade.

José Louzeiro escreveu sobre um Brasil que não está tão distante assim daquele que conhecemos em 2019, aliás está assustadoramente familiar, e Infância dos mortos merece ser lido justamente para que a discussão sobre a sociedade, a política e a justiça não cessem jamais. Favorito do ano e torço para que ganhe nova edição algum dia!

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Beijos!

Fotos: Nine Stecanella
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