Uma mulher independente de Elizabeth Forsythe Hailey

28 de maio de 2019



Uma mulher independente
Autora: Elizabeth Forsythe Hailey
Tradutor: A.B. Pinheiro de Lemos
Editora: Record
Edição: 1984
Páginas: 261
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Uma mulher vibrante, obstinada, cheia de amor, em permanente busca de um sentido para a vida, fascinada pelo mundo, apaixonada pelas artes, amando a vida e as pessoas. Este é o perfil de Elizabeth Alcott, que, nascida no Texas no príncipo do século, conta a história de sua vida através de cartas cronológicas, escritas em momentos de crise, de angústia ou de puto prazer, Aos poucos, o leitor vai conhecendo uma mulher que tenta compreender o seu tempo e até mesmo ultrapassá-lo. É uma estréia certamente original a de Elizabeth Forsythe Hailey, que, através de uma tessitura narrative sutil e elegante, se mostra uma escritora delicada e gentil, observadora e irônica, mas ainda assim valorizando muito a alma humana.

Escrito através de cartas, o livro conta a história de Bess da infância - a primeira correspondência é de 1899, até a velhice na década de 1960. A personagem principal encara ao longo da vida uma série de mudanças pessoais e sociais que a fazem crescer e se tornar uma mulher forte e referência entre os familiares. Verdade que a personalidade de Bess é dominadora, mas é um livro que sem dúvida visa quebrar o senso comum do papel da mulher na primeira meta de século XX.

O primeiro tema de destaque do livro é o amor de infância e o primeiro casamento. No final dos estudos Bess anuncia para a família que vai casar e mesmo que o pretendente seja pobre isso não é empecilho para a personagem (é virada do século no Texas, o tabu social era latente (e atualmente continua forte)). Com os recursos da família Bess começa uma nova vida, simples, porém cheia de personalidade, e logo as coisas mudam.



Rob se destaca no trabalho e começa a enriquecer. Bess - ao mesmo tempo que se sente feliz com o casamento e a família, pela prosperidade tão rápida do marido, percebe que aos poucos Rob vai se distanciando e a vida a dois se torna automática, quase como um compromisso social ao invés de uma relação pessoal. Mais uma vez Elizabeth Forsythe Hailey coloca temas importantes em discussão, afinal é necessário mais que amor para um relacionamento existir.

A sociedade e o papel da mulher, é claro, fecham o primeiro momento do livro onde a autora, através das cartas escritas por Bess, discorre sobre os sentimentos de mãe, esposa, empresária e filha - já que com a morte da mãe o pai casa-se tempos depois com uma ex-colega de internato de Bess. A diferença de idade e geração também entra em debate nesse trecho.

Ao longo do livro o leitor encara junto com Bess a transformação da sociedade durante as duas guerras mundiais. Mesmo morando nos Estados Unidos a protagonista sofre as consequências do combate e uma das mudanças mais significativas na vida da personagem é justamente ao final do segundo confronto. Bess, como desde o início demostrou, assume os negócios e as rédeas da vida e começa um novo capítulo.




A modernidade tecnológica é outro tema importante abordado no livro, já que a personagem vive a fase adulta justamente nos primeiros 50 anos do século XX, usufruindo de cada novidade, ao mesmo tempo que aborda as pequenas diferenças na rotina com a introdução de rádio, viagens de avião e televisão, entre outros. A riqueza não pode ser esquecida, porque é através da classe social que Bess conquista sua reputação e também tem a possibilidade de conhecer o mundo e as pessoas, ampliando sua perspectiva sobre a sociedade.

Uma mulher independente é um livro sobre uma personagem a frente do seu tempo que sempre cuidou dos negócios, viajou o mundo e progrediu. E também é muito mais. Elizabeth Alcott, apesar da boa situação financeira, enfrenta dilemas ao longo da trama que vão além da classe social, e amadurece com tudo que vê. Verdade que sua personalidade, em parte, continua a mesma, mas é inevitável acompanhar 60 anos da vida de um personagem e não se questionar em que ponto estamos e para onde queremos ir, exatamente como ela faz em vários momentos.

Favorito do ano, leitura ainda de fevereiro, eu tinha que registrar essa recomendação no Estante da Nine. Mesmo sem uma edição recente (torço para que alguma editora publique de novo), Uma mulher independente é daquelas histórias que merecem ser lidas e debatidas, porque segue atual sobre o debate da mulher na sociedade e como certos preconceito, apesar de mais uma virada de século, continuam latentes. Espero que tenham a oportunidade de ler!

Assista ao vídeo opinião publicado no canal do Estante da Nine

Beijos!

Fotos: Nine Stecanella
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