Tubarão de Peter Benchley

20 de julho de 2017




Tubarão
Autor: Peter Benchley
Editora: Record
Edição: 1974
Páginas: 262
Skoob | Goodreads
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Uma mulher jovem e bela, depois de um apaixonado encontro amoroso numa praia deserta, sente vontade de tomar um banho à meia-noite. Enquanto nada no mar calmo, é subitamente atacada e tem o corpo cortado ao meio. Na manhã seguinte, os restos do seu corpo terrivelmente mutilado vão dar na praia. As autoridades municipais de Amity resolvem guardar silêncio sobre a morte da moça, pois, se a notícia do tubarão assassino se espalhasse, a influencia de veranistas e turistas cessaria por completo, arruinando os negócios e a economia da cidade. O chefe de polícia foi proibido de interditar as praias. Proclama-se que o tubarão desertou daquelas águas. Mas o monstro ataca e mata de novo e a vida da cidade se torna governada pela presença apavorante, quase sobrenatural, do tubarão que espera ao largo, inexorável e cruel.

A leitura de Tubarão de peter Benchley foi cheia de altos e baixos e no final uma experiência muito interessante. A missão de hoje é compartilhar com vocês alguns dos meus pontos favoritos e também aquilo que não gostei tanto assim. Aproveitei para assistir a adaptação de Steven Spielberg na Netflix e na sequência (provavelmente amanhã), também vai rolar texto por aqui. Ok, chega de comentários gerais, vamos falar sobre o enredo.

Amity é uma pequena cidade litorânea que sobrevive graças ao veraneio de famílias ricas da cidade que mantém ou alugam casas para passar os meses de calor na praia. Às vésperas de um feriado importante e início da temporada, uma jovem é encontrada destroçada e levanta suspeitas de um tubarão. Apesar dos indícios, as praias são mantidas abertas e é claro que isso vai resultar em mais mortes. O tema do livro gira em torno, principalmente, de aniquilar o tubarão. 




Narrado em terceira pessoa, o livro consegue transmitir em poucas páginas a atmosfera de Amity e um pouco da personalidade de seus moradores. A história acompanha especialmente o chefe de polícia, Brody, e as dificuldades que ele vai enfrentar tanto na administração do problema com as autoridades, e também com moradores e turistas. Na vida pessoal a suspeita de uma traição também paira na vida do protagonista, já que a mulher, outrora da sociedade, com frequência se arrepende de ter perdido contato com os amigos do passado assim que se mudou para Amity.

Um dos meus pontos favoritos é que logo no início Peter Benchley coloca Brody em uma situação extremamente delicada: o chefe de polícia quer fechar as praias, mas por pressão política e de pessoas influentes da cidade ele as mantém abertas. A partir daí o livro é uma sucessão de acontecimentos interligados e em muitos trechos é impossível largar a leitura. A história publicada nos anos 1970 segue extremamente atual.

Sem dúvida, como vi também muitas pessoas comentando sobre o filme, essa é uma história para se pensar sobre o capitalismo e como ele influência nossa vida diariamente. Amity é uma cidade pequena, tão pequena que um verão ruim pode transformá-la em uma cidade fantasma. Por isso ignorar o primeiro ataque do tubarão não parece algo tão grave para alguns moradores. Na visão deles, são centenas de famílias que vão passar fome e depender da assistência social durante o outono e inverno caso algo prejudique a temporada.

Acidentes e livros de sebo!







O outro lado é que as famílias ricas em nenhum momento realmente incluem os nativos de Amity em suas atividades. Ou os poucos que participam dos encontros sociais são por motivos e interesses especiais. Existe uma relação de trabalho e dependência muito claro na cidade, e de certa forma os moradores são conformados com isso. O que é assustador, na verdade.

A presença de um estudioso traz outro debate bem importante de Tubarão: a experiência de vida x a experiência acadêmica. Peter Benchley mostra como ideias opostas tem dificuldades imensas de trabalhar juntas, ao mesmo tempo que aliar os conhecimentos traz resultados eficazes. Ainda assim algumas barreiras dentro do tema são intransponíveis e ao longo do enredo isso gera diversos conflitos entre os personagens.

O ponto alto dessa experiência de leitura sem dúvida foi o tubarão. Peter Benchley consegue passar a ideia de que esse monstro é consciente e de que em certo ponto está enfrentando diretamente os humanos, num combate de forças. A analogia aqui pode ser usada para tantos temas que por esse aspecto, e poderia citar apenas ele, eu recomendo o livro.




Sobre os pontos negativos, mas não exatamente isso, muitos temas citados no livro, que poderiam ganhar mais destaque no enredo, ficam apenas nas poucas citações. Durante e ao final da leitura isso me incomodou muito, mas depois de finalizar a história de Peter Benchley e assistir ao filme, cheguei à conclusão que faz sentido. Amity ganha notoriedade pela presença do tubarão, antes e depois disso pouco a cidade pode importar aos de fora.

Existem ainda alguns temas que eu quero comentar sobre Tubarão, mas eles aparecerão no post sobre o filme, principalmente para não repetir o conteúdo desse, e também porque gostei mais na adaptação. Minha nota para Tubarão de Peter Benchley foi de três estrelas no Skoob (mas pode virar quatro, ainda não tenho certeza), e recomendo a leitura para todos que gostam livros de suspense, dramas e personagens contraditórios.

PS: minha edição é de sebo, mas a Darkside relançou o livro (link pra compra no início do post).

PS1: vocês já leram ou querem ler?

Beijos!

Fotos: Nine Stecanella
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