Histórias da Meia-noite de Machado de Assis

26 de julho de 2016





Histórias da Meia-noite
Autor: Machado de Assis
Editora: Companhia Nacional
Edição: 2005
Páginas: 127
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Grandes contos de Machado de Assis
Publicadas em livro em 1873, as histórias que compõem esta coletânea sugerem enredos repletos de mistérios. Mas, embora o título possa enganar, Histórias da meia-noite enfeixa narrativas onde predomina a sátira social. Registro de uma etapa importante na formação do escritor, esta segunda coletânea de contos organizada pelo próprio Machado de Assis ganha um colorido particular.

Eu adoro Machado de Assis. Sério. Mas Histórias da Meia-Noite foi o primeiro livro do autor, entre os que li até agora, que não me empolgou. Até fiquei em dúvida se valia o post ou não, mas como essa foi uma leitura para o meu projeto de clássicos brasileiros e de língua portuguesa, achei válido o registro, mesmo que curto.



A edição reúne os contos A parasita azul, As bodas de Luís Duarte, Ernesto de Tal, Aurora sem dia, O relógio de ouro e Ponto de vista. As histórias retratam uma infinidade de personagens, de classes sociais, costumes e origens distintas. Sem dúvida, o meu aspecto favorito da obra foi justamente essa pluralidade de tipos, tão presente em outras histórias de Machado de Assis.

Alguma leitora menos exigente, há de achar singular a resolução da Isabel, ainda depois de saber que era amada. Também eu penso assim; mas não quero alterar o caráter da heroína, porque era ela tal qual a apresento nestas páginas. Entendia que ser amada casualmente, pela única razão de ter o moço voltado de Paris, enquanto ela gastara largos anos a lembrar-se dele e a viver unicamente dessa recordação, entendia, digo eu, que isto a humilhava, e porque era imensamente orgulhosa, resolvera não casar com ele nem com outro. Será absurdo; mas era assim.
A parasita azul - Machado de Assis (página 40)

Ao longo dos seis contos, o autor retrata algumas das situações mais caricatas da sociedade da época (a coletânea foi publicada em 1873), e não apenas isso: as críticas de Machado de Assis continuam extremamente atuais. Através de histórias como a da mulher interessada no melhor casamento, ou a do pseudo intelectual que tenta a carreira política, Machado de Assis nos faz refletir sobre o verdadeiro valor de cada coisa, de cada posição e até de cada opinião.

O grande porém com essa coletânea de contos tem relação com os personagens. E tenho certeza que Machado de Assis planejou isso com muita perspicácia. A verdade é que nenhum dos protagonistas (ou até mesmo as figuras secundárias), são admiráveis. Sério. E isso é o mais louco: normalmente, nos livros, procuramos nos identificar com personagens altruístas, por exemplo. Em Histórias da Meia-noite todos são mesquinhos, egoístas ou desinteressados (e desinteressantes). Um choque (ou pensando bem, nem tanto), se pensarmos que a sociedade é exatamente isso, né?!



Minha avaliação para o livro foi de três estrelas no Skoob. Adoro a visão ácida e crítica do autor sobre a sociedade da época (Machado ficaria horrorizado se vivesse hoje?), e como ele consegue me fazer avançar mesmo naquelas histórias em que tenho verdadeiro asco dos personagens. Mesmo não empolgando, a experiência foi válida (e talvez eu leia tudo dele, quem sabe). E vocês, já leram e/ou gostam de Machado de Assis?

Beijos!
Foto: Nine Stecanella
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