Os amores de Angélica de Anne e Serge Golon

3 de julho de 2018




Os amores de Angélica
#1 A Marquesa dos Anjos
Autores: Anne e Serge Golon
Editora: Nova Cultural
Edição: 1989
Páginas: 288
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Bem longe da Côrte, na aldeola de Monteloup, Angélica, a filha predileta do bom e rústico Barão Armando de Sancé, vive no castelo em ruínas da família. Solta pelos campos, para os aldeões é uma linda fada, a quem o futuro não preocupa. Para a família, por sua beleza excepcional, um trunfo a ser explorado. O pai a casa com o temível Joffrey de Peyrac, o Conde de Toulouse -- o homem mais poderoso do Sul da França, mais rico e mais nobre que o próprio rei. Angélica não o conhece, mas dizem que é um feiticeiro, que tem pacto com o Demônio. Um bruxo visado pela Inquisição...

Angélica e as feiticeiras de Salém foi o meu primeiro contato com a série A Marquesa dos Anjos. O livro é o volume 23 da série e a impressão foi tão boa que comecei a procurar nos sebos a saga de Anne e Serge Golon em ordem cronológica. Alguns volumes já estão na estante, por isso está na hora de começar o bate-papo da coleção no Estante da Nine com o livro um: Os amores de Angélica.

A história começa em 1645 quando Angélica é criança e tem uma infância livre no inteiro da França, admirada pelo pai e pela família, como também pela comunidade do local. O título da série faz inclusive de uma referência feita para a menina por ser tão livre e combinar com o cenário do campo, muitas vezes chamada de fada, e também A Marquesa dos Anjos



Anne e Serge Golon desenvolvem desde cedo uma personalidade peculiar para Angélica, que além de linda é inteligente, curiosa e muito sagaz. A menina destoa da família, que apesar da boa linhagem é falida e vive numa atmosfera de melancolia pela degradação da casa e a falta de dinheiro, muitas vezes ressaltada pela humilhação de parentes ricos ou nobres da região. Desde muito cedo Angélica admira com equilibrada simpatia a riqueza, apesar de desprezar muitos ricos, como também a simplicidade dos modos do campo onde cresceu.

O enredo engloba alguns anos da vida da personagem e da família, que amadurece a cada estação, mas começa a entender melhor a vida adulta ou quase isso quando é enviada para o convento. Sem expectativa de um bom casamento, Angélica fica surpresa ao ser avisada que voltará para casa depois de alguns anos - isso mesmo, para se casar. Como não poderia deixar de ser Angélica abomina a ideia.



Os amores de Angélica foi uma surpresa pelo contexto rico em informações sociais, políticas e religiosas da época, elementos que permeiam a vida de Angélica, e que são relevantes para a parte final da história quando o casamento acontece. Apresentar uma personagem forte e astuta desde a infância reforçou minha simpatia pela protagonista que viveu de momentos tensos e humilhantes a uma redenção inesperada.

O casamento tratado como negócio é o ponto alto da parte final desse primeiro livro da série A Marquesa dos Anjos porque Anne e Serge Golon desenvolvem um romance envolvente, onde o marido de Angélica, Joffrey de Peyrac, a conquista aos poucos, realmente demonstra interesse em sua personalidade e opiniões, além e acima de tudo de não ter forçado intimidade com a personagem para consumar casamento, algo frequente na época. A diferença de idade entre o casal é moderada, cerca de 10, 12 anos, e não foi um aspecto que me incomodou como já aconteceu com outros livros.



Joffrey de Peyrac é aliás um bom protagonista masculino, embora nesse livro ele apareça apenas no final. Diferente dos nobres da região na aparência e comportamento, além de modos peculiares e negócios não exatamente honestos, o marido de Angélica mantém certo mistério sobre quem é para a jovem e o leitor, e é interessante especular que tipo de vida a personagem vai ter em meio a tanta riqueza e luxuria. Uma sombra paira na vida do casal e o final do livro deixa infinitas possibilidades abertas. Curiosa pelo próximo volume é pouco, tanto que ele deve aparecer na próxima meta de leitura e em breve tem mais A Marquesa dos Anjos no Estante da Nine.

Recomendo Os amores de Angélica de Anne e Serge Golon para leitores que gostam de histórias com pano de fundo histórico, contrastes sociais e romances que levam seu tempo para acontecer. O livro tem cenas sensuais na parte final, nada excessivo, e tudo bem coerente com a história. A narrativa é fluída apesar de momentos mais detalhados, com destaque para alguns bons diálogos onde Angélica rouba a cena, claro. Sem dúvida uma das leituras (junto com Angélica e as feiticeiras de Salém), que eu mais gostei de ter encontrado no sebo nos últimos tempos.

Beijos!

Fotos: Nine Stecanella