Laranja mecânica de Anthony Burgess

31 de julho de 2017



Laranja mecânica
Autor: Anthony Burgess
Editora: Aleph
Edição: 2014
Páginas: 200
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Admirável mundo novo de Aldous Huxley
Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex - soberbamente engendrada pelo autor - empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de "1984", de George Orwell, e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "Laranja Mecânica" é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.

Ler Laranja mecânica de Anthony Burgess foi uma experiência e tanto. Entre todos os livros distópicos que já li, esse foi o com o contexto mais parecido com o que vivemos hoje, e isso foi positivo e negativo no decorrer da leitura. Eu gostei porque é fácil identificar a sociedade que o autor imaginou e estamos incrivelmente perto. Não gostei porque faltou algo para o livro realmente me arrebatar, sabe? Eu adorei a história, mas não foi favorita como imaginei (ou esperava).

Alex é um adolescente que gosta de se divertir com ultra violência. Todas as noites o protagonista sai com seus amigos, sua gangue, para vandalizar, agredir, beber, estuprar e fazer um tanto de coisas caóticas pelas ruas da cidade. Apesar dos alertas, Alex não tem medo do perigo e, certa noite, depois de uma briga com seus amigos, cai em uma cilada e é preso. A partir daí, na prisão, o livro coloca em pautas seus temas principais e mostra que tudo, sempre, tem dois lados (ou mais).

O tempo de Alex na prisão, que antecede o experimento, é um dos trechos mais pontuais para destacar da leitura e um dos meus pontos favorito. Isso porque o autor mostra tanto a dualidade das pessoas, que todos temos qualidades e características negativas através dos detentos, e ao mesmo tempo questiona se é correto colocar Alex, um adolescente, na prisão com homens adultos. Em tempos de debate da redução da maioridade penal é sempre bom medir os prós e contras com atenção e esse livro é um extra para se pensar.

Uma peculiaridade da história é que em nenhum momento Anthony Burgess tira a responsabilidade de Alex por seus atos ou tenta inocentar o personagem. Ao longo de todo o enredo o leitor percebe que o protagonista não mudou e que tenta todas as artimanhas possíveis para se ver livre da prisão o quanto antes. Alex é calculista e esperto, e experimentei diversos sentimentos em relação a ele ao longo da leitura.

O experimento que Alex se candidata para testar também é ponto importante do enredo. É através dele que o autor inclui os debates finais do livro e questiona todo o sistema social apresentado em Laranja mecânica. Apesar da experiência apresentar um resultado, até certo ponto esperado, em nenhum momento a cabeça de Alex muda e a violência continua como parte de sua personalidade. Ou o que sobrou dela.

Para terminar quero comentar sobre dois temas que não inclui no vídeo porque ele estava longo o suficiente, hehehe. O primeiro é sobre a passividade da família do Alex e como as pessoas são conformadas com o sistema, como se ter emprego, casa e comida fosse o suficiente (alguma semelhança com o momento atual?). Talvez seja justamente por isso que a diversão do protagonista seja a ultra violência, além de todas as teorias que podemos debater sobre a personalidade de Alex.

Outro ponto importante é que eu passei por essa experiência de leitura sem conferir o glossário de sinônimos. Anthony Burgess cria para Laranja mecânica todo um vocabulário com gírias e expressões e na edição britânica não há essa lista, porque o autor imaginou justamente causar essa estranheza no leitor, então foi assim que li. Apesar da dificuldade inicial e do ritmo lento, depois de alguns capítulos as palavras não me incomodaram mais.

A questão é se uma técnica dessas pode realmente tornar um homem bom. A bondade vem de dentro, 6655321. Bondade é algo que se escolhe. Quando um homem não pode escolher, ele deixa de ser um homem.
página 85

Apesar de não ter entrado para a lista de favoritos, Laranja mecânica foi uma ótima leitura e avaliei o livro com 4 estrelas no Skoob. Até hoje penso sobre o que faltou para que a história de Anthony Burgess me envolvesse mais e ainda não sei dizer. A melhor dica é aquela velha: comece sem expectativas, ou com expectativas moderadas, para aproveitar o melhor do enredo. Tu já leu Laranja mecânica? Como foi a experiência?

Vídeo de opinião publicado no canal do Estante da Nine

Beijos!

Foto: Nine Stecanella
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