Restos humanos de Elizabeth Haynes

28 de outubro de 2014




Restos humanos
Autora: Elizabeth Haynes
Editora: Intrínseca
Edição: 2014
Páginas: 320
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Você conhece bem seus vizinhos? Saberia dizer se eles estão vivos ou mortos? Ao encontrar por acaso o corpo de uma vizinha em avançado estado de decomposição, Annabel Hayer, que trabalha com análise de informações para a polícia, fica horrorizada ao pensar que ninguém — e isso inclui ela mesma — sentiu falta daquela mulher. De volta ao trabalho, ela vasculha os arquivos policiais e encontra dados que mostram um aumento significativo de casos como aquele nos últimos meses em sua cidade. Conforme aprofunda a investigação, Annabel parece cada vez mais convencida de estar no rastro de um assassino, e é obrigada a enfrentar os próprios demônios e a própria fragilidade. Será que alguém perceberia se ela simplesmente desaparecesse? Um thriller psicológico extremamente perturbador, Restos humanos fala de nossos medos mais obscuros, mostrando como somos vulneráveis — e a facilidade com que vidas podem ser destruídas quando não há ninguém que se importe com elas.

Oi gente, tudo bem? Hoje vou escrever sobre o livro Restos humanos da autora Elizabeth Haynes. Sempre tive curiosidade em conhecer o trabalho da autora e quando surgiu a oportunidade solicitei para a Intrínseca o lançamento recente. Embora o final não tenha sido aquele que eu esperava, o enredo do livro tem uma proposta pra lá de interessante. A sinopse do Skoob resume bem o ponto de partida, então antes de comentar minhas impressões, vou escrever algumas observações rápidas.

Na história acompanhamos o ponto de vista de dois personagens: a protagonista Annabel, uma mulher sem grandes emoções ou ambições na vida, que acorda todos os dias no modo automático; e Colin, um homem misterioso que parece desconexo com a história no princípio. Pessoalmente não senti empatia por nenhum. Isso, contudo, não influenciou na leitura, como já aconteceu com outros livros. Acredito até que a autora tenha feito de propósito. Nem Annabel e nem Colin são pessoas inspiradoras


Quando a protagonista acha o corpo da vizinha em estado avançado de decomposição, tudo muda. Annabel resolve fazer uma pesquisa e descobre que muitas pessoas foram encontradas na mesma situação. Nenhuma com sinais de violência ou algo que indique um crime. O departamento não tem dinheiro e as mortes são tratadas como fatalidades, até que mais e mais corpos são encontrados. O jornal local dá destaque a situação peculiar e, aos poucos, a polícia não pode ignorar o fato. Não mais. Não com tantos corpos!

Elizabeth Haynes mantém o mistério sobre as mortes por boa parte do livro. Embora não haja uma investigação ativa, a não ser a impulsionada por Annabel, o ponto alto é a discussão do motivo das mortes, não se alguém/ quem as cometeu. Alguns elementos conseguimos deduzir logo no início da leitura. A questão principal é como ninguém procurou por essas pessoas. Como puderem chegar em estágios avançados de decomposição sem um familiar, amigo, parente ou até vizinho tenha dado por falta. Alguns, inclusive, dentro de suas casas, confortavelmente sentadas em suas poltronas. Todos eles teriam motivos para simplesmente desistir de viver?

Você nunca se dá conta do que é a solidão até que ela começa a rastejar dentro de você, como uma doença; é algo que vai acontecendo progressivamente com você.
página 59

A narrativa da autora é envolvente e, por boa parte do livro, faz as descrições na medida certa. E acredite, as cenas mais repugnantes não são aquelas com corpos putrefatos. Contar o motivo seria um spoiler, então você precisará ler para descobrir. Mas preciso confessar que as últimas páginas me deixaram um tantinho decepcionada. No clímax do livro, onde esperei que o foco nos personagens fosse maior, Elizabeth Haynes faz algumas descrições de ambientação que não achei necessárias, porque no início do capítulo ela contextualiza cada cena. Então, o momento chave da história poderia ser uma sucessão de acontecimentos marcantes, mas tem várias quebras no ritmo.

O próprio fechamento não foi muito empolgante. Foi sim de acordo com a personalidade dos personagens, mas não teve uma transformação ou evolução significativa. Achei xoxo, pra falar a verdade. Isso não desmerece a proposta da história que, no meu caso, foi mais interessante no seu desenvolvimento que desfecho. Pode ser também que eu tenha criado muita expectativa sobre o trabalho da autora e isso tenha prejudicado (sempre acontece nesses casos) minha experiência. Ainda sim, quero ler os outros livros de Elizabeth Haynes publicados no Brasil.


A edição da Intrínseca tem uma capa bem sombria (a mesma da edição americana) que tem tudo a ver com a história. Na verdade, tenho quase certeza que é a reprodução de uma cena. A diagramação segue o padrão de alguns outros livros que tenho aqui da editora, com boa fonte e entrelinha. A impressão é em papel Pólen Soft, aquele amarelinho que adoramos! Não anotei erros de revisão que tenham prejudicado a leitura.

Recomendo Restos humanos para quem já teve contato com Elizabeth Haynes e gostou, para aqueles que curtem livros de mistério e suspense com personagens contraditórios e para os leitores que gostam de histórias policiais, com a ressalva de que neste caso a investigação da corporação não é o ponto alto. 

PS: meu personagem favorito da história foi Sam, o repórter do jornal da cidade. E nem foi porque somos jornalistas, tá?! No geral, achei Sam muito humano. A humanidade que faltou nos outros personagens, inclusive na protagonista.

Beijos!
Foto: Nine Stecanella
*Livro recebido da editora Intrínseca
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