Otelo de William Shakespeare

10 de novembro de 2017



Otelo - o mouro de Veneza
Autor: William Shakespeare
Editora: Nova Fronteira
Edição: 2011
Páginas: 153
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Otelo, o Mouro de Veneza é das mais importantes peças de William Shakespeare. Iago, alferes de Otelo, não suporta ver outra pessoa ocupar o posto de tenente que pretendia. Já Otelo, um nobre mouro a serviço do Estado, não acredita que possui qualidades suficientes para manter ao seu lado uma mulher jovem e bonita como Desdêmona. Iago, tomado pela inveja e sentimentos malévolos, acusa Desdêmona de infidelidade e busca a destruição de Otelo.

A história da peça começa com o casamento escondido de Otelo e Desdêmona. Uma briga é incitada, mas após a confirmação da moça de que não foi roubada, a confusão se desfaz e o casal, junto com outros personagens, viaja para Chipre para enfrentar os turcos. O resumo do ponto de partida de Otelo – o mouro de Veneza de William Shakespeare é esse e eu não poderia imaginar que seria uma tragédia, daquelas bem trágicas mesmo (com o perdão da redundância), e que ficaria surpresa com o contexto do enredo e o desenvolvimento da trama. 




Como na versão em vídeo da minha experiência de leitura com Otelo (incorporado abaixo), aqui na versão em texto também vou comentar sobre os pontos principais e meus preferidos por temas, e o primeiro deles é a capacidade de manipulação de Iago, o melhor amigo de Otelo – que na verdade deseja destruí-lo. Em muitos momentos é surpreendente como com pequenas artimanhas ele transforma conversas cotidianas em confissões desonrosas terríveis e como todos os personagens parecem cair no seu jogo. Infelizmente, por boa parte da história a vingança de Iago dá certo, e mesmo com trechos sábios do personagem, é difícil perdoar a desgraça que ele traz para a vida de muitos personagens.

(...) reputação é uma invenção inútil e fabricada muitas vezes conseguida sem mérito e perdida sem merecimento.
página 63

Otelo, um homem imponente e figura militar respeitada, se mostra frágil com a insinuação de Iago sobre uma traição de Desdêmona e a partir daí toda rigidez do protagonista se perde. No momento da sugestão o protagonista imediatamente culpa a mulher e apesar de todas as desgraças que poderia sofrer, uma traição por parte da moça inocente e virginal é imperdoável e intolerável. Otelo quer vingança.

Desdêmona, a moça que contrariou o pai e casou com Otelo, se transformou de jovem pura e desejada, cheia de qualidades, a traidora vergonhosa que acabou com a reputação do marido. Mesmo com várias pessoas falando em sua defesa, a personagem principal se torna alvo fácil da ira de Otelo, que não consegue avaliar a situação com racionalidade, já que a insinuação fere sua o honra e todas as artimanhas de Iago convencem o personagem de há de fato uma traição.



Durante toda a peça paira a possibilidade de Iago ser desmascarado e não vou mentir que torci para que acontecesse em vários momentos. No entanto, quando tudo está perto da verdade é tarde demais para alguns personagens e nem o arrependimento de alguns é capaz de impedir um final trágico. E gente, não é exagero. O final da peça é desgraceira total, não torçam por um desfecho feliz porque não é o caso aqui. Se serve de consolo, a verdade é revelada, e isso até poderia ser um spoiler, mas como a gente já sabe o final... 

Pra homem ou mulher bom nome é tudo;
De nossas almas é a mais cara joia:
Quem rouba a minha bolsa rouba nada,
Era minha, hoje é dele, foi de mil;
Mas quem de mim arranca meu bom nome
Não enriquece com o que me tirou,
Mas a mim deixa pobre, realmente.
página 78

Eu adorei Otelo de William Shakespeare e essa quarta experiência com o autor me empolgou e manteve o objetivo de continuar com os livros (peças) dele na fila de futuras leituras. Mesmo não lendo peças com frequência, eu me adaptei bem a escrita de Shakespeare e já não acho tão estranho como era no começo. Vale a pena tentar. Minha nota para Otelo foi de quatro estrelas no Skoob. Vocês já leram?

Vídeo de opinião publicado no canal do Estante da Nine
 

Beijos!

Foto: Nine Stecanella
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