Emboscada no Forte Bragg de Tom Wolfe

5 de junho de 2017




Emboscada no Forte Bragg
Quando a rede poderosa de televisão se confronta com os lordes da testosterona, alguém vai acabar se dando mal
Autor: Tom Wolfe
Editora: Rocco
Edição: 1998
Páginas: 154
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Discutindo os limites entre verdade e ilusão, documento e manipulação, nos telejornais, abordando temas como homofobia e as milícias privadas, tão ao gosto das direitas, em todo mundo, Tom Wolfe prova nesta novela, publicada originalmente em capítulos na revista Rolling Stone, por que foi o papa do new journalism e é comparado aos grandes romancistas do século XIX, em sua abordagem de temas sociais.

Emboscada no Forte Bragg foi uma leitura tão boa que estou me perguntando porque não li Tom Wolfe durante a faculdade. O livro é indispensável para todo mundo que gosta de comunicação, jornalismo e sociedade, principalmente porque mostra o outro lado da notícia e o que é feito para se chegar até ela.

Dividido em capítulos que seguem cada trecho da matéria investigativa que está sendo montada, Tom Wolfe apresenta os bastidores do jornalismo de uma forma crua e bem realista. A começar pelo produtor Irv que se acha rei e tem uma rixa com a apresentadora que dá cara ao programa de entrevista. O primeiro aspecto positivo do livro é esse, já me mostra como duas pessoas que se detestam convivem e trabalham juntos porque a fórmula já deu certo. 



Enquanto o leitor acompanha o desenrolar da matéria investigativa, é possível visualizar também a produção que há por trás: o lance aqui é flagrar três soldados racistas confessando um crime de homofobia e para provar isso Irv e os demais produtores da matéria vão infligir leis e passar por cima da individualidade, algo bem cotidiano no nosso noticiário, não é?

Além da rixa de Irv com Mary Cary Brokenborough, a apresentadora mais querida da América, o autor desenvolve a insegurança do protagonista quando ele percebe que a grande sacada da armadilha foi criada pelo produtor contratado regional, que cria praticamente um filme pornô para pegar os soldados. Sem dúvida a guerra de egos é um tema recorrente no livro, assim como o é no jornalismo. 




É importante dizer que ao longo do livro Tom Wolfe coloca alguns questionamentos em pauta sobre continuar ou não a matéria investigativa e que resultado ela pode ter. Em certo momento da trama a armadilha parece dar errado e a mensagem proposta será conseguida apenas com muita edição, outro tema bem importante quando pensamos em jornalismo e comunicação. Tudo é questão de ponto de vista e imparcialidade, na minha opinião, é bem difícil de alcançar, o que é diferente de ouvir todos os lados envolvidos.

Muitas críticas que o autor inclui no livro são especialmente para o estilo de vida americano e como o militarismo e a guerra afetam a vida da comunidade. Ao mesmo tempo, Tom Wolfe mostra como o exército é um refúgio para muitos que não se vem em outro grupo ou vivendo de forma coletiva. Além da mensagem e do debate o autor coloca questionamento em ambos lados.




Quando terminei Emboscada no Forte Bragg cheguei à conclusão que a gente precisa pensar e debater muito sobre jornalismo, notícia e comunicação. Veículos tem suas opiniões e posições e com a internet, ao invés de um debate saudável, se criou uma guerra de rixas. A proliferação de notícias falsas também é um obstáculo ao jornalismo, que apesar de ter o dever de informar, também deve respeitar o limites legais, certo?

Enfim, eu adorei o livro de Tom Wolfe e indico a leitura para todo mundo que gosta do assunto, independente de estudar ou trabalhar com jornalismo e comunicação, afinal esse é um tema presente no nosso dia a dia e também faz parte da nossa rotina como cidadão se manter informado e de preferência com boas fontes. Minha nota para o livro foi de quatro estrelas no Skoob. O que vocês recomendam de new journalism?

Beijos!

Fotos: Nine Stecanella
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