O silêncio das mariposas de Juliano Schiavo

16 de dezembro de 2010




O silêncio das Mariposas
Autor: Juliano Schiavo
Editora: Anthology [Multifoco]
Edição: 2010
Páginas: 214
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Apenas o silêncio das mariposas pode ser alcançado – mesmo que cause dor e desconforto. E tudo por causa de um beijo, um beijo vampiro, num baile de máscaras, numa noite em que a lua cheia banhava o céu com uma cor prateada. E, neste turbilhão de sensações e metáforas, eis que o drama se inicia e se desenrola numa teia tecida por relatos de uma face sem sexo e sem nome, apenas com uma cicatriz.

Antes de falar sobre o livro preciso deixar claro que ele não tem nada de parecido com essa nova “versão” de vampiros! 

O silêncio das mariposas está entre os melhores livros que li esse ano. E existem várias razões para isso. A primeira delas é que os dois personagens principais não tem nome e nem sexo. E isso não foi motivo de estranheza, pelo contrário, o que mais conta no livro é a personalidade deles, que fica muito bem definida ao longo do texto. 

A segunda razão é a densidade da história. O autor Juliano Schiavo realmente me surpreendeu com a maturidade do livro, coisa que não é comum em autores jovens. O terceiro ponto são as metáforas. O título é a principal e mais importante metáfora do livro que fica totalmente esclarecida na última página. 

E posso destacar aqui o quarto ponto, onde o personagem principal, que ao longo de toda a história conserva uma frieza em relação a tudo e todos, termina como devia terminar. E não quero dizer que o fim é previsível, quero dizer que ele sempre soube o caminho que escolhera e por mais que tentasse retardar as conseqüências, uma hora elas chegariam. E chegaram! 

E por fim [só nesta resenha] o quinto e essencial ponto: esse livro é um conjunto de sentimentos e metáforas que é IMPOSSÍVEL ficar indiferente à mensagem. E as mariposas, também me acompanham desde criança. Pelo motivo inverso ao do livro, mas o sentimento, o mesmo! É uma obra de ficção com uma dose surreal de realidade.

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Como esse livro tem muitos trechos interessantes, vou postar alguns aqui. E depois, espero que todos tenham a oportunidade de ler. 

Senti meu mundo diminuído, pequeno, estranho. Havia recebido um grande golpe por causa de um questionamento que mais tarde eu (talvez) entenderia: por que as pessoas falam que a sinceridade é a coisa mais bonita, mas nos ensinam que às vezes é necessário usar da falsidade, da hipocrisia e se esconder em inverdades, sempre agradecendo com um sorriso?
página 10

Jornalismo é um ofício invasivo, que cutuca as feridas, penetra aos poucos pela derme e, finalmente, vaga pela corrente sanguínea de suas vítimas. Quando chega ao coração, integra-se ao palpitar. Fica alojado ali, como um verme, esperando ansiosamente por mais informações para se nutrir.
página 24

- É a mesma sensação de adolescência para a vida adulta. Uma dúvida. Muitas dores. Nunca sabemos o que somos. São as ações que nos definem aos olhares alheios. E são os desejos ocultos que nos definem para nós mesmos.
página 44

O prazer, sempre. A dor, às vezes. O questionar da vida, jamais.
página 137

Beijos!