Solitário

4 de fevereiro de 2010

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me á tua porta!
Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta.
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!
Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
- Velho caixão a carregar destroços -
Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

Solitário de Augusto dos Anjos

2 comentários

  1. texto profundo e que nos faz pensar...
    bacana!

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  2. Oi, Nine :)
    Augusto dos Anjos é sempre muito profundo e impactante.

    Eu também comprei "Diários do Vampiro - O Despertar" e gostei muito. Tem mais ação e emoção que os livros da Meyer. Tô louca pra comprar logo "O Confronto".

    Um beijO*

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