Humilhados e ofendidos de Fiódor Dostoiévski

8 de julho de 2019




Humilhados e ofendidos
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editora: Mimética
Edição: 2019 (Amazon)
Páginas: 2014
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Nesta obra, narrada pelo jovem escritor Ivan, dois enredos vão convergindo gradualmente. Natascha, amiga de infância e amada de Ivan, foge de casa dos pais para casar com Alyosha, o filho do Príncipe Valkovsky que não aprova esta união. Entretanto Ivan conhece Elena, uma órfã de treze anos, que é adotada por Nicolai, o pai de Natascha. E é ao contar a sua triste história que a menina consegue que Nicolai perdoe a sua filha. Uma narrativa envolvente e cativante onde o sofrimento humano é retratado com mestria.

A minha experiência com Humilhados e ofendidos de Fiódor Dostoiévski teve um porém: o tempo longo entre o início e a finalização, consequência de vários hiatos. A fragmentação me afastou dos personagens porque não criei vinculo ou apego com os protagonistas. Apesar disso, o enredo tem muitos debates sociais importantes, uma narrativa instigante e alguns dilemas que seguem atual, e é por isso que a dica de hoje no Estante da Nine é sobre a obra de 1861 do meu autor russo favorito.

Ivan é um jovem que tem ambição de ser escritor, mesmo que a profissão não seja bem vista pelas pessoas próximas e pela sociedade (o debate sobre produção cultural segue em 2019). Apaixonado por Natascha com quem convive desde a infância, o narrador de Humilhados e ofendidos tem uma surpresa ao descobrir que a jovem que ama planeja fugir para se casar com Alyosha, o filho do grande rival do seu pai.

No passado o pai de Alyosha, principe Valkovsky, acusou o pai de Natascha de roubo e além de o falir, o desmoralizou perante todos que conheciam. A partir daí nasce um sentimento de vingança entre as duas figuras e se agrava quando descobrem o envolvimento dos filhos. Narrado por Ivan, Humilhados e ofendidos na verdade é a jornada de duas famílias, e muitas pessoas, que tem a opção de viver na tristeza e miséria ou superar o orgulho e seguir em frente.



Desde o início gostei de Ivan, como ele é o personagem responsável por transitar entre todos os cenários e ambos os universos da trama, e da fidelidade com Natascha, a mulher que ama, mas que jamais o amará como amou Alyosha (com o perdão da redundância). A conformidade do personagem é visível, mas a intenção de minimizar as consequências prevalece e ele segue como amigo fiel da família.

Natascha e Alyosha vivem a experiência da primeira paixão, logo o desafio aos pais é elemento fundamental, mas a diferença de caráter e espírito entre os dois logo mostra que a moça, ao romper com o pai que tanto a amava, é a maior perdedora da situação. Em pouco tempo o princípe Valkovsky aproxima Alyosha de outra jovem, rica herdeira e peça chave nos seus planos, e o jovem protagonista sucumbi a uma nova paixão sem reconhecer que a outra já abrandou.

O debate do livro segue por dois temas principais: o rompimento familiar entre pais e filhos e um romance que coloca tudo em risco e em pouco tempo esmorece. Um dos temas principais é a experiência do adulto versus a impulsividade do jovem, mas também a iniciativa que cada um tem de seguir ou não um caminho diferente, mesmo que as consequências sejam irreversíveis.


A disputa de classes também é um tema evidente, já que de um lado temos um pai de família humilde que foi destruído por um então amigo, e o príncipe que apesar da linhagem é um falido inescrupuloso. Muito mais que debater sobre o dinheiro e a riqueza, Fiódor Dostoiévski faz o leitor pensar qual dos dois patriarcas é realmente nobre e qual é a escória social.

A cena que abre o Humilhados e ofendidos e parece não ter relação com o contexto geral ganha significado através da introdução de uma adolescente no terço final do enredo. É através dessa menina que Fiódor Dostoiévski coloca em cheque os principais dilemas de cada personagem e também é através dessa figura que todas as pontas do enredo são enlaçadas. Na apresentação não vi propósito na personagem, mas ao final da trama foi um dos meus elementos favoritos do livro.

Sem dúvida se a leitura não fosse fragmentada Humilhados e ofendidos teria aparecido no Estante da Nine um mês atrás e era forte candidato a entrar nos favoritos do ano. Apesar de todos os contratempos com o livro eu adorei a história de Fiódor Dostoiévski, como acontece com todo livro do autor por sinal, e recomendo o livro para quem gosta de dramas familiares e tramas com debates sociais como o de classes.

Beijos!

Foto: Luís Henrique
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