Ratos de Gordon Reece

19 de maio de 2017



Ratos
Autor: Gordon Reece
Editora: Intrínseca
Edição: 2011
Páginas: 240
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Shelley e a mãe foram maltratadas a vida inteira. Elas têm consciência disso, mas não sabem reagir — são como ratos, estão sempre entocadas e coagidas. Shelley, vítima de um longo período de bullying que culminou em um violento atentado, não frequenta a escola. Esteve perto da morte, e as cicatrizes em seu rosto a lembram disso. Ainda se refazendo do ataque e se recuperando do humilhante divórcio dos pais, ela e a mãe vivem refugiadas em um chalé afastado da cidade. Confiantes de que o pesadelo acabou elas enfim se sentem confortáveis, entre livros, instrumentos musicais e canecas de chocolate quente junto à lareira. Mas, na noite em que Shelley completa dezesseis anos, um estranho invade a tranquilidade das duas e um sentimento é despertado na menina. Os acontecimentos que se seguem instauram o caos em tudo o que pensam e sentem em relação a elas mesmas e ao mundo que sempre as castigou. Até mesmo os ratos têm um limite.

Quando Ratos de Gordon Reece saiu no sorteio da TBR jar eu não tinha ideia de que a história teria tanto impacto sobre meus pensamentos. Verdade que eu não li muito sobre o livro, eu sabia apenas que falava sobre submissão, praticamente tudo foi surpresa, e que história interessante e que enredo que merece ser lido por muitos mais leitores. Ratos é daqueles livros que quanto menos se souber sobre o enredo melhor, então vou usar a sinopse do Skoob como resumo e me policiar muito durante este texto de opinião, hehehe.

A história acompanha Shelley e sua mãe e o que aconteceu em suas vidas principalmente depois da separação. O pai de Shelley casou com uma mulher mais nova e foi embora para outro país, enquanto a adolescente e a mãe buscam recomeçar suas vidas longe do passado. Me confundi com a linha do tempo e o começo do livro foi estranho. A história é no presente e o leitor é inserido em cenas do passado das personagens, especialmente Shelley, e levei algumas páginas para me entender dentro da história. Depois disso a leitura fluiu com muita rapidez.



Gordon Reece apresenta o motivo de duas mulheres tão marcadas já nas primeiras páginas: Shelley, depois de anos de amizade, passou a sofrer um bullying intenso das ex-amigas. Agressões verbais e físicas aumentam gradativamente até que a protagonista é incendiada viva. Pois é, você não leu errado. A mãe, que não conhecemos pelo nome, foi se diluindo ano a ano em um casamento infeliz onde o marido ao perceber seu potencial, boicota seus sonhos profissionais. Daí em diante a relação só piora. Algum palpite sobre o porquê do nome do livro ser Ratos?

Shelley e sua mãe estavam vivendo felizes seu recomeço até que em uma noite tudo muda. Um assaltante entra na casa e encurrala as duas mulheres. Sofrendo por viver o medo novamente, Shelley e sua mãe tomam uma decisão. A decisão de salvar suas vidas. E isso as coloca numa situação delicada e num dilema terrível. A partir daí as duas personagens deixam de ser ratos e se tornam algo diferente. Algo terrível.



Apesar da forma subjetiva de tratar o enredo para não entregar demais a história, um dos grandes debates do livro é quem somos e em que posição nos colocamos em relação ao outro. Será que algo terrível é capaz de acabar com nossas convicções ou apenas nos modificar? Será que somos ratos porque nos vemos como ratos ou porque aceitamos que o outro nos coloque nessa posição?

O livro é narrado em primeira pessoa e esse é um dos pontos altos na minha opinião. Apesar do choque, do horror e da situação extrema que a história apresenta e aborda, eu não consegui condenar as personagens ou odiá-las, apesar de não concordar com muitas atitudes. E isso é assustador. Ao mesmo tempo que é compreensível seus motivos, o que a submissão e o bullying causaram, é horrível pensar nas consequências psicológicas de certas decisões, então é basicamente uma situação de ação e reação. E a reação aqui leva as personagens a uma outra categoria, bem longe da dos ratos.

Saber o que aconteceu depois me faz pensar em como a aparência e o comportamento delas em relação a mim mudaram na mesma época. Sempre me perguntei se existia alguma conexão. Nossa aparência afeta nossa personalidade? Ou é nossa personalidade que afeta a nossa aparência? A pintura corporal para a guerra transforma um índio covarde em um guerreiro corajoso? Ou um guerreiro corajoso se pinta para mostrar sua crueldade? Um gato sempre parece um gato? Um rato sempre parece um rato?
páginas 20 e 21

Ao final o livro me causou dois tipos de choques: o primeiro sobre como somos afetados por comparações e pelo comportamento do outro em relação a nós; e como podemos nos livrar facilmente de alguns medos, adquirindo contudo outros tantos no lugar. As personagens passam por um amadurecimento, e ao mesmo tempo se transformam em algo novo e assustador.

A leitura de Ratos foi surpreendente e espero que mesmo com poucas informações claras sobre o enredo vocês tenham ficado curiosos pela história. Minha nota para o livro de Gordon Reece foi de quatro estrelas no Skoob e recomendo para quem gosta de suspenses e dramas psicológicos, com cenários afastados e personagens controversas. Já leu Ratos? Comenta como foi a experiência!

Beijos!

Foto: Nine Stecanella
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