Quando tudo volta de John Corey Whaley

14 de abril de 2014






Quando tudo volta
Porque eu estou acordado em um mundo de pessoas que dormem
Autor: John Corey Whaley
Editora: Novo Conceito
Edição: 2014
Páginas: 224
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Uma morte por overdose. Um fanático estudioso da Bíblia. Um pássaro lendário. Pesadelos com zumbis. Coisas tão diferentes podem habitar a vida de uma única pessoa? Cullen Witter leva uma vida sem graça. Trabalha em uma lanchonete, tenta compreender as garotas e não é lá muito sociável. Seu irmão, Gabriel, de 15 anos, costuma ser o centro das atenções por onde passa. Mas Cullen não tem ciúmes dele. Na verdade, ele é o seu maior admirador. O desaparecimento (ou fuga?) de Gabriel fica em segundo plano diante da nova mania da cidade: o pica-pau Lázaro, que todos pensavam estar extinto e que resolveu, aparentemente, ressuscitar por aquelas bandas. Em meio a uma cidade eufórica por causa de um pássaro que talvez nem exista de verdade, Cullen sofre com a falta do irmão e deseja, mais que tudo, que os seus sonhos se tornem realidade. E bem rápido.

Uma das coisas mais legais em ler é que, um livro que aparentemente não é nada demais, torna-se uma surpresa incrível que deixa você sem palavras em poucas páginas. Foi assim com Quando tudo volta. Preciso ser sincera: quando recebi os lançamentos da Novo Conceito, que inclusive estão cada vez mais atraentes, o livro não me chamou atenção na hora. Mas já no dia seguinte eu olhava para a escrivaninha (onde ele estava guardado) e, sei lá, a capa me chamava. Talvez por essa cor e estilo parecidos com A culpa é das estrelas e Extraordinário. Enfim, não resisti e peguei para ler. 


Quando tudo volta é uma história curta, sem enrolação que fala o que precisa e nada mais. A sinopse acima já dá uma boa ideia dos temas centrais, mas algumas reflexões que esse livro inevitavelmente traz são mais do que pertinentes para o momento em que vivemos, como sociedade, no geral, e como mundo.

Cullen Witter é um garoto comum. Tem um melhor amigo improvável, o irmão que é, sem dúvida, a pessoa mais importante de sua vida e uma família disfuncional. Trabalha em uma loja de conveniência e não se dá tão bem com garotas. Vive a expectativa da fase final da escola mas, ao mesmo tempo, não alimenta grandes esperanças para o futuro.


A primeira coisa que me chamou atenção na história é que a cidade de Cullen, tão pequena que é quase esquecida, vive aquele clima de conformismo sem volta. Todos ali levam vidas pacatas, sem grandes conquistas e os poucos que passaram um tempo fora, voltaram com a cabeça ainda mais baixa. Pessoalmente, senti a primeira mensagem aí, já que normalmente reclamo de como minha vida não segue o caminho que desejo, mas também não faço tudo que posso para chegar onde quero.

As coisas começam a mudar para Cullen e toda cidade quando duas situações totalmente diferentes acontecem próximas uma da outra: a primeira é a volta de um possível pica pau lendário, extinto há anos, desde que os locais onde viviam foram desmatados. O outro, o desaparecimento misterioso do irmão do protagonista sem deixar qualquer pista. O livro tem mais um detalhe: acompanhamos outro personagem muito importante para a trama, que vive seus próprios conflitos, mas em determinado momento as três histórias irão se unir para um desfecho pra lá de surreal e interessante.

O que tirei dessa leitura, que é curta e rápida, portanto não vou contar mais detalhes da história é que: 1) nós podemos escolher o nosso próprio caminho. Em vez de esperar algo acontecer, fazer aquilo que desejamos acontecer; 2) nossas prioridades, assim mesmo, de modo generalista, estão muito, muito erradas; 3) nem tudo que parece óbvio, é o óbvio; 4) reconhecer a verdadeira amizade é uma das coisas mais importantes da vida e, por fim: 5) fazemos escolhas e sempre, sempre mesmo, teremos que lidar com as consequências, mesmo que não imediatamente.


Não se engane, Quando tudo volta não é um livro de autoajuda. Essas são apenas algumas observações que compartilhei com vocês e que me ocorreram durante a leitura, mas tem muito mais o que pensar. Preciso dizer que adorei o livro apesar do começo confuso? O autor John Corey Whaley foi muito feliz ao criar uma história tão simples, quase uma alegoria, mas que, ao mesmo tempo, tem o poder de despertar certo pensamentos que deveriam ser mais habituais na nossa vida.

A edição da Novo Conceito está muito bonita, apesar de a capa remeter, imediatamente, a A culpa é das estrelas e Extraordinário. Cada capítulo tem um subtítulo e as páginas são decoradas com pássaros. Apesar de algumas citações, como prêmios e frases de críticas, o livro não ficou poluído. Eu li tão rápido que não peguei erros de revisão, mas eles sempre podem existir. Resumindo: leiam, leiam, leiam. Mesmo que não gostem tanto quanto eu, podemos discutir muitos pontos de Quando tudo volta.

Assista ao book trailer do livro

Beijos!
Fotos: Nine Stecanella
*Livro recebido da editora Novo Conceito
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