A outra vida de Susanne Winnacker

30 de abril de 2014






A outra vida
Quem éramos antes da epidemia - e como nunca seremos novamente
Autora: Susanne Winnacker
Editora: Novo Conceito
Edição: 2013
Páginas: 272
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O mundo de Sherry — de uma hora para outra — mudou completamente. Por causa de um vírus muito contagioso, as pessoas que ela costumava conhecer, e quase todas as pessoas de sua cidade, Los Angeles, na Califórnia, se transformaram em mutantes assustadores. Esses mutantes têm uma força excessiva, são ágeis, o corpo é coberto de pelos, eles lacrimejam um líquido imundo e… comem gente! Portanto, não há muito o que fazer — talvez tentar fugir — quando se encontra algum deles. A não ser que você tenha ao seu lado a força e a determinação de um jovem como Joshua. Joshua perdeu uma irmã para os mutantes e sua raiva é tão grande que ele seria capaz de vingar todos aqueles que perderam alguém para as criaturas. No entanto, para que esta revanche aconteça, é preciso prudência. Afinal, até que ponto a disseminação deste vírus foi uma coisa realmente natural? Que poderosos interesses estão por trás desta devastação? E será que Joshua e Sherry conseguirão ter a cautela necessária para lutar contra as criaturas justo agora que seus corações estão agitados pelo começo de uma paixão?

Eu tenho certa dificuldade em escrever sobre os livros que me deixaram dividida. E definitivamente A outra vida me fez sentir isso. Vou explicar: quando foi lançado, acompanhei muitas resenhas e vídeos sobre o livro. A opinião da maioria dos leitores foi de na média para ruim. Evidentemente isso me preparou para uma leitura mais ou menos, mas o fato é que eu gostei. E teria gostado mais se já não tivesse classificado o livro como “abaixo do aceitável” antes de começar a leitura.

A sinopse do Skoob dá uma boa ideia da história, então vamos partir para o que mais gostei e não gostei de A outra vida, certo?! O livro começa com a família da protagonista, Sherry, precisando tomar uma decisão importante. Depois que um vírus se espalhou por Los Angeles, boa parte das pessoas não contaminadas se mudou para abrigos públicos ou privados. Três anos se passaram e no abrigo construído pelo pai de Sherry não há mais comida. Então a família precisa decidir entre minguar até a fome os matar ou sair em busca de mais sobreviventes e comida e, quem sabe, ser morto por monstros mutantes.

Embora ela dê o nome de “chorões” para estas criaturas, por manterem certas características humanas e olhos lagrimejantes, nossa referência mais próxima são os zumbis. Mas se você é fã de zumbis, tenha em mente que esse não é um livro sobre eles, é apenas uma comparação do, talvez, gênero de criaturas sanguinárias. Honestamente, acho clichê demais vírus = zumbis. Com esse tipo de contexto, outras possibilidades de monstros perigosos eram possíveis e a autora poderia ter ousado ou criado algo mais criativo. Foi o principal ponto que não me agradou. 

Mas, a história como um todo, me deixou envolvida e a leitura foi rápida. O que mais gostei na personalidade de Sherry (e, provavelmente, é o que muitos outros leitores vão odiar), é que ela se liga demais ao tempo. Sempre faz referência do que deixou para trás quando entrou no abrigo, de quantos anos não vê a melhor amiga, não sente a brisa no rosto, não vê a luz do dia. Embora possa parecer chato, estamos falando de um livro de pessoas confinadas e isoladas da sociedade por anos. Mais do que combina esse tipo de comportamento um tantinho psicótico.


O fato é que a saída de Sherry e seu pai do abrigo termina com ele capturado pelos chorões, a protagonista sem saber o que fazer e, misteriosamente, um belo garoto aparecendo para salvá-la (sim, é clichê, mas já estamos acostumados com eles em livros jovens, não?). A partir daí, Sherry descobre que há outros sobreviventes e vai, claro, fazer de tudo para salvar sua família e resgatar o pai com vida.

Normalmente eu reclamaria do romance que logo faísca no livro. Mas neste caso, não. Sherry entrou no abrigo aos 14 anos e não teve namoros, saídas com as amigas e diversões da adolescência. Até então, pensou que morreria sem conhecer essas coisas. Então foi aceitável que logo na primeira saída e assim que encontrou um garoto próximo de sua idade, ela se envolvesse. Estamos falando de uma cidade (mundo) devastado e ninguém sabe por quantos dias estará vivo. Achei legal mesmo, contrariando as expectativas. Além disso, existe uma espécie de rixa entre eles e algumas cenas, apesar de tudo, são engraçadas.

Os demais sobreviventes dão uma pitada especial na história. Cada um deles tem sua trajetória marcada pela entrada do vírus em suas vidas e conhecemos ao longo das páginas o motivo que fez cada um continuar. Infelizmente o livro não tem tantas cenas de ação, um ponto que senti falta. Mas a autora justificou bem suas escolhas e a tensão maior é durante o resgate do pai de Sherry. 

É claro que ao longo do livro e principalmente na parte final descobrimos, assim como muitos membros dos sobreviventes, que segredos importantes não foram compartilhados e quando todas as peças se unem, todos que conhecem algo sobre o vírus falam. Também achei clichê a grande razão, o grande motivo por tudo ter acontecido, mas, mais uma vez, Susanne Winnacker mantém uma linha principal e a história é coerente.


Resumindo: sim, eu gostei de A outra vida. Talvez porque estivesse esperando algo bem diferente e abaixo. Talvez porque, normalmente, eu gosto de livros que a maioria dos leitores detestam, mas principalmente porque eu me envolvi com a história e essa é a grande missão de um livro, certo? Ele não se tornou um favorito, mas durante as horas que o li, ele cumpriu seu papel de me deixar curiosa, tensa, um pouquinho nervosa e querendo saber tudo sobre o final.

A edição da Novo Conceito tem alguns erros de revisão, mas nada que comprometa a leitura. Não gosto da capa, embora ela represente o livro, é pouco atraente. A diagramação é padrão da editora e as páginas são amarelas. No Goodreads há apenas mais um livro cadastrado, o que nos faz pensar que A outra vida será mesmo uma dualogia (o nome do volume dois em inglês é The Life Beyond, algo como Além da vida, numa tradução livre).

Recomendo a leitura para quem tem curiosidade pelo tema ou gosta de histórias com esses seres parecidos com zumbis. Tenham em mente que o livro é recheado de clichês, mas tem coerência no enredo principal e que, apesar de muitos amigos com gosto parecido ao meu terem detestado, comigo funcionou e pode ser uma boa leitura para você também. 

Beijos!
Fotos: Nine Stecanella
*Livro recebido da editora Novo Conceito
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