Manuscrito encontrado em Accra de Paulo Coelho

25 de setembro de 2012






Manuscrito encontrado em Accra
Autor: Paulo Coelho
Editora: Sextante
Edição: 2012
Páginas: 176
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14 de julho de 1099. Enquanto Jerusalém se prepara para a invasão dos cruzados, um grego conhecido como Copta convoca uma reunião com os jovens e velhos, homens e mulheres da cidade. A multidão formada por cristãos, judeus e muçulmanos chega à praça achando que irá ouvir uma preleção sobre como se preparar para o combate, mas não é isso que Copta tem a lhe dizer. Tudo indica que a derrota é iminente, mas o grego só quer instigar as pessoas a buscarem a sabedoria existente em sua vida cotidiana, forjada a partir dos desafios e dificuldades que têm de enfrentar. O verdadeiro conhecimento, acredita, está nos amores vividos, nas perdas sofridas, nos momentos de crise e de glória e na convivência diária com a inevitabilidade da morte. Na tradição de O Profeta, de Khalil Gibran, o Manuscrito encontrado em Accra, de Paulo Coelho, é um convite à reflexão sobre nossos princípios e nossa humanidade.

Manuscrito encontrado em Accra é o primeiro livro de Paulo Coelho que li. Resolvi abolir meu preconceito e conhecer o trabalho de um autor tão conceituado no mundo (e também muito criticado). Confesso, fiquei muito surpresa, gostei e certamente lerei outras de suas obras. 

O livro é curto e a sinopse dá um panorama geral do que a história apresenta. Assim, vou destacar alguns pontos que acho importante e que fizeram sentido na minha bagagem como leitora. O livro é bem escrito, sem problemas de correção e revisão. A capa, embora simples, é bem significativa. Boa diagramação, fonte e páginas amarelas. Geralmente abordo esses pontos ao final da resenha, mas esse post, sem dúvida, é atípico. 

O encontro entre Copta, um sábio grego e os moradores de Jerusalém acontece um dia antes da invasão cruzada. As esperanças são praticamente zero e todos esperam pelo banho de sangue. O que encontramos nessa reunião, além da mistura de crenças (cristãs, judaica e mulçumana), é a busca por um sentido. Copta tenta instigar nessas simples pessoas um sentido de continuar sua vida, seguir seu caminho, buscar as respostas que sempre vagaram pela mente e acreditar que embora a guerra esteja à porta de casa, a fé, a esperança e o amor devem estar em todos os momentos e que esses sentimentos podem mudar a vida de cada um. 

Interpretei o livro de três maneiras distintas. A primeira delas como um evangelho nunca escolhido para a Bíblia. Acredito que como propósito principal, já que o próprio título do livro sugere o manuscrito, a narrativa se assemelha muito a várias passagens da Bíblia (especialmente a cristã, a única que já li). Com a diferença de que todo o discurso é positivista. O cenário, os personagens e a própria guerra poderiam muito bem fazer parte de um novíssimo testamento. 

A segunda comparação é com a filosofia. O cenário, já descrito na sinopse e em passagens anteriores, compreende muito bem a época em que os filósofos eram os grandes expoentes da sociedade. A população deixava de lado seus afazeres um por alguns momentos para ouvir o que o homem erudito tinha para falar sobre a vida, a sociedade, a política, a ciência e a religião. 

E por fim, o Manuscrito encontrado em Accra me lembra dos livros de fantasia. Quase todos que já li falam sobre a jornada do herói (é um item praticamente indispensável neste tipo de literatura). O encontro com Copta também pode ser interpretado dessa maneira. A diferença é que nos livros de fantasia, ao longo de sua jornada, o herói se depara com sábios, feiticeiros, xamãs (ou outras figuras religiosas e místicas) e outros heróis. E no livro de Paulo Coelho encontramos uma figura que, inicialmente, não está na sua terra, mas que chama atenção pela sabedoria e belas palavras. 

Foi uma resenha longa, eu sei. Mas sempre que conheço um livro novo (neste caso não literalmente mas por nunca ter lido nada de Paulo Coelho) fico pensativa. Manuscrito encontrado em Accra realmente me surpreendeu, me agradou. É uma outra perspectiva de leitura. Entendo que muitos leitores não se sintam atraídos. Mas quando tiver a oportunidade, faça como eu: leia e tire suas próprias conclusões.

Beijos!
*Livro recebido da editora Sextante
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