Satiricon de Petrônio

15 de maio de 2018




Satiricon
Autor: Petrônio
Editora: Abril Cultural
Edição: 1981
Páginas: 208
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Crônica do cotidiano da Roma Imperial à época de seu maior fausto econômico, que coincide com excessos de liberalidade nos costumes e decadência cultural e política. Escrito por Petrônio entre 62 e 66 d.C e remontado a partir de uma reunião de textos fragmentados, nem por sua forma a obra perdeu sua força plástica e encanto literário, fascinando sucessivas gerações de escritores e historiadores, de Tácito a Boccaccio, de Proust a Nietzsche.

Meu objetivo de maio, além de colocar as pautas em dia, é não atrasar as publicações das experiências de leitura dos últimos 30 dias (pelo menos daquelas que tenho intenção de comentar no Estante da Nine). Exatamente por isso o papo hoje é sobre Satiricon de Petrônio, volume da coleção Grandes Sucessos da Abril Cultural que conclui no final (finaleira mesmo) do mês passado e que, confesso, foi uma experiência peculiar como deve ficar também esse comentário.

Quando a gente se faz de ovelha, o lobo nos devora.
página76

A história dos amigos Encólpio, Ascilo e Gitão é extremamente fragmentada como uma pesquisa rápida indica, e no caso da minha edição também comentada no resumo da orelha, então é sim o primeiro ponto a destacar dessa experiência de leitura porque o livro não tem uma lógica, estilo narrativo ou cenário predominantes, pelo contrário, transita em vários deles, e causa estranheza enfrentar as primeiras páginas da história que parecem não fazer nenhum sentido.



A Roma do século I d.C. é um cenário e tanto, algo inédito na minha rotina de leitura, então foi um ponto positivo da experiência - que me apresentou e ampliou um contexto social que eu conhecia pouco e não tinha ideia de como era familiar e assustador como nosso tempo . Com exceção da tecnologia, todo resto da estrutura social, política e econômica funciona mais ou menos do mesmo jeito há séculos e parece difícil reverter essa roda.

Quanto a mim, prefiro minha consciência a todos os tesouros do mundo.
página 77

O enredo transita por vários cenários onde os personagens se deparam com a riqueza, a orgia e a ostentação. Fogem e cometem roubos para pagar por comida e acomodações e não parecem tão preocupados com as consequências. As ruas de Roma são incrivelmente familiares e nem todo ladrão aparenta ser um ladrão, afinal. Petrônio parece expor constantemente no enredo a pessoal real x o que a pessoa aparenta ser, além dos conflitos que uma vida hedonista pode trazer para o indivíduo e a sociedade.


Os três personagens principais se relacionam com homens e mulheres no decorrer do livro, não existe exatamente um debate sobre orientação sexual na história, mas há sim uma rixa entre Encólpio – o narrador, e Ascilto – seu amigo, pela atenção e escolha do jovem Gitão. Crianças e escravos são comuns em cenas de sexo, que transitam de relações intimas até grandes orgias, e formam uma das bases dessa sociedade romana que sempre que pode opta pela luxúria. 

Porque é mais fácil nascer livre do que chegar a sê-lo por mérito próprio.
página 77

Satiricon de Petrônio foi uma leitura peculiar como comentei no primeiro parágrafo porque me trouxe um contexto histórico novo, ao mesmo tempo que me deixou ainda mais temerosa com a sociedade, que parece ter evoluído tão pouco nesses séculos todos. Não é um livro favorito, mas é uma história que fiquei satisfeita em conhecer, que me trouxe reflexões e curiosidade por explorar contextos e sociedades que influenciam o mundo até hoje. Vocês já leram Petrônio?

Beijos!

Fotos: Nine Stecanella
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