Feios de Scott Westerfeld

13 de maio de 2013





Feios
#1 Feios
Em um mundo de extrema perfeição, o normal é feio
Autor: Scott Westerfeld
Editora: Galera Record
Edição: 2010
Páginas: 416
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Tally está prestes a completar 16 anos, e ela mal pode esperar. Não por sua carteira de motorista – mas para se tornar bonita. No mundo de Tally, seu aniversário de 16 anos traz uma operação que torna você de uma horripilante pessoa feia para uma maravilhosa pessoa linda e te leva para um paraíso de alta tecnologia onde seu único trabalho é se divertir muito. Em apenas algumas semanas Tally estará lá. Mas a nova amiga de Tally, Shay, não tem certeza se ela quer ser bonita. Ela prefere arriscar sua vida do lado de fora. Quando ela foge, Tally aprende sobre um lado totalmente novo do mundo dos bonitos – que não é tão bonito assim. As autoridades oferecem a Tally sua pior escolha: encontrar sua amiga e a entregar, ou nunca se transformar em uma pessoa bonita. A escolha de Tally faz sua vida mudar pra sempre.

Feios de Scott Westerfeld foi escolhido pelos leitores do Estante da Nine na enquete de abril como o livro especial do mês. Eu finalizei a leitura em maio e é por isso que o post está saindo tão atrasado. Desculpe! Farei o possível para que isso não se repita. O livro de maio já foi escolhido e fique de olho na próxima enquete que irá definir o livro especial de junho.

Eu estaria mentindo se escrevesse que não tinha nenhuma expectativa sobre o livro. Quando Feios foi lançado no Brasil a recepção dos leitores foi muito positiva e apesar de conhecer alguns pontos da história, o livro me surpreendeu muito além do que eu imaginava... E na maioria dos pontos não foi positivamente. Não leio tantas distopias quanto outros leitores, mas talvez as poucas que li tenham me influenciado demais e por isso esperei uma outra condução do livro de Scott Westerfeld.

Vou começar com o ponto que mais gostei: o tema da distopia. A história se passa no futuro (lógico), e embora o autor não revele o ano, as pistas indicam que seja algo entre 2350, 2400. A população é dividida por faixa etária e ao completar 16 anos o jovem recebe do governo uma cirurgia que o transformará em perfeito. Todo seu rosto é modificado, sua pele é trocada e suas características naturais ficam para trás. Começa então um período de curtição na cidade...

A narrativa é feita em terceira pessoa. E foi um dos poucos casos (na verdade o único que lembro enquanto escrevo esse post), que talvez e APENAS TALVEZ o livro seria mais interessante se narrado em primeira pessoa. Acredito que eu entenderia melhor as motivações da personagem (que vou escrever mais abaixo) e sua obsessão em tornar-se perfeita. Eu fiquei boa parte do livro (e com uma pitada do mesmo sentimento ao terminar), de que o desejo de Tally ultrapassava até mesmo as imposições da sociedade criada por Scott Westerfeld.



Fica bem claro que a crítica de Scott Westerfeld está relacionada diretamente com a situação atual da sociedade e a busca pelo padrão de beleza, de aceitação. O autor cria então um contexto futurístico onde ninguém mais precisa se preocupar com a aparência (e nem nada), já que todos se tornam perfeitos e vivem nas mesmas condições. Além disso, a cidade é sustentável, ecologicamente viável, extremamente tecnológica e completamente sob controle. Scott Westerfeld constrói e apresenta para o leitor todas as engrenagens básicas de sua distopia de forma compreensível (por incrível que pareça elementos que faltaram em alguns dos poucos livros do gênero que li).

A protagonista do livro é Tally, uma garota de 15 anos, prestes a completar de 16, que está mais próxima do que nunca de ter seu grande desejo realizado: tudo o que ela mais quer é se tornar prefeita, mudar-se da Vila Feia para Nova Perfeição, reencontrar seu amigo Peris e viver todas as festas que a pós-operação pode proporcionar. O começo do livro é lento, Scott Westerfeld apresenta situações cotidianas que embora pareçam desinteressantes, representam muito mais na segunda metade do livro. Alguns leitores me alertaram sobre o começo, mas apesar de tudo eu me envolvi com as cenas.

O meu primeiro grande porém em relação ao livro foi com Tally. Como escrevi acima, talvez influenciada pelas poucas distopias que li, eu esperei que a protagonista tivesse uma reação sobre o sistema muito antes do que ela realmente teve. Mesmo quando Tally percebe algumas nuances, algumas situações que não se encaixam na explicação oficial, nem assim a personagem deixa de lado seu desejo intenso em se transformar em perfeita. Ou, quem sabe, questionar se o método é realmente eficaz. O fato é que Scott Westerfeld cria uma personagem coerente, Tally é completamente influenciada pelo regime, a eficácia da transformação em perfeita e a nova vida após os 16 anos. Eu é que imaginei o rumo da história por outros caminhos.

Foto: Nine Stecanella


A aventura não é tão emocionante, mas a amizade de Tally e Shay, que começa totalmente ao acaso, ganha uma proporção importante para o rumo da segunda e terceira parte do livro. Particularmente, eu gostaria de ter lido um pouco mais sobre Shay, mas o livro é realmente centrado em Tally, apesar de alguns outros personagens serem essenciais para o desenrolar da história. O segundo ponto que me desagradou no livro (já pela metade), é uma decisão extremamente egoísta da protagonista e com ela uma mentira que perdurou por toda a metade final.

O fato é que a mentira gerou uma série de consequências graves e torci para que Tally revelasse tudo o mais rápido possível, para encarar as consequências e amenizar o sofrimento. Mas não! Scott Westerfeld mantém o segredo praticamente até o fim, o que torna o final, o último capítulo, totalmente previsível. E é exatamente por isso que não tenho curiosidade nem empolgação para ler o volume dois por hora.

Resumindo a ideia geral: eu gostei da distopia, entendi até certo ponto as atitudes de Tally, esperei um pouco mais de espaço para outros personagens e fiquei muito curiosa por uma classe de perfeitos que deve figurar mais pelo livro dois e, especialmente (!!!), pelo três. No final, meu sentimento em relação ao livro ficou dividido. Pensando agora, os pontos positivos têm uma pequena vantagem sobre os negativos, mas talvez o ideal seja começar Perfeitos, o volume dois, sem grandes (ou nenhuma) expectativa.

A edição da Galera tem uma capa boa (apesar de eu não gostar de modelos, combinou muito bem), folhas amarelas, diagramação simples, mas com bom tamanho de fonte e entrelinha e poucos erros de revisão. É isso. Espero que tenham gostado!

Beijos!
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