O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Brontë

25 de março de 2013




O Morro dos Ventos Uivantes
O amor nunca morre...
Autora: Emily Brontë
Editora: Lua de Papel
Edição: 2009
Páginas: 292
Skoob | Goodreads
Compre no Submarino
Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. "Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff", diz a apaixonada Cathy.

Você já pensou em escrever sobre um livro, mas não tem ideia de por onde começar? É isso que estou sentindo neste exato momento. Resolvi sentar e pensar sobre o que eu realmente achei de O Morro dos Ventos Uivantes e até agora não cheguei a nenhuma conclusão.

Minha primeira impressão foi de que não chegaria ao final do livro. As leituras que faço são, em sua maioria, de livros contemporâneos e a narrativa de Emily Brontë me causou uma certa estranheza. A primeira parte li mais devagar impossível. Quando a narrativa passou a soar familiar, o enrendo ainda não tinha me conquistado completamente. Na verdade, eu demorei muito para entender o livro (se é que eu entendi mesmo). E depois disso, ele passou uma longa temporada abandonado.

Quando retomei a leitura, aí sim, foi impossível parar até a última linha, mas isso já era lá pela metade de O Morro dos Ventos Uivantes.O livro tem um pouco de tudo: fundo histórico, amor, tragédia, intrigas e vingança. A maioria dos personagens são ambíguos. Conhecemos a história pela visão da governanta que esteve presente ao longo das três gerações que formaram a família central e é interessante observar que, em vários momentos, a personagem parece fazer uma reflexão de suas próprias atitudes do passado, justificando-se por várias vezes.

O núcleo do enredo é o amor "proibido" entre Heathcliff e Catherine. É através desse relacionamento que Emily Brontë introduz os conceitos sociais da época, o preconceito racial, os padrões de comportamento e a mudança de personalidade depois de uma grande decepção. Até o fim da fase inicial, quando conhecemos o que aconteceu com o jovem casal durante a adolescência, eu torcia ferozmente por Heathcliff. Tudo que o garoto passou e o desprezo que sofreu justificavam algumas de suas atitudes muito questionáveis.

Alguns anos se passam, Catherine é uma mulher casada, Heathcliff foi embora há muito tempo e ninguém imagina que um dia ele possa voltar ao Morro dos Ventos Uivantes. Mas ele volta. E começa uma verdadeira transformação na vida de todos. Heathcliff não quer apenas punir as pessoas que lhe fizeram sofrer. Ele quer acabar com a vida delas. Algumas mentes que já não iam bem começam a decair e é como se a loucura se apossasse ferozmente de todos eles.

Foi nesse momento que Heathcliff passou de mocinho para anti-herói. Suas atitudes são tão extremas que não há mais justificativa para tal comportamento. Desse ponto em diante eu sempre fiquei me perguntando qual era o verdadeiro sentido de tudo. Acredito que cada leitor também fará sua própria interpretação da situação. O Morro dos Ventos Uivantes não é do tipo de livro com opiniões unânimes.

Outro ponto interessante é que Emily Brontë começa a narrativa no presente, com a chegada do inquilino à Granja, propriedade que faz parte d'O Morro dos Ventos Uivantes, conta a história do passado através das lembranças da governanta e finaliza o livro de volta ao presente, com o antes ouvinte e inquilino, agora figura ativa no desenrolar final da história, na terceira geração da família que começou com o pai de Catherine adotando Heathcliff sem nenhum motivo senão a bondade.

E você que já leu, torceu por Heathcliff? E para você que ainda não encarou O Morro dos Ventos Uivantes, ficou mais curioso?

Beijos!
*Ajude o blog comprando pelo link indicado no post ou através do banner do Submarino;
as compras pagas geram comissão ao Estante da Nine