Dark Life: vida abissal de Kat Falls

18 de janeiro de 2013







Dark Life: vida abissal
Autora: Kat Falls
Editora: Ciranda das Letras
Edição: 2011
Páginas: 276
Skoob | Goodreads
Leia um trecho do livro no Tumblr
Compre no Submarino
"O oceano teve seu nível elevado, engolindo as terras". Terremotos chacoalham os continentes, mergulham regiões inteiras sob as águas. Agora, as pessoas vivem espremidas em cidades de habitações empilhadas. Os únicos que têm algum espaço próprio são aqueles que habitam o solo marinho, na Vida Abissal. Ty durante toda sua vida esteve sob o mar profundo, ajudando na fazenda de sua família no solo oceânico. Mas, quando bandidos atacam seus vizinhos, Ty se vê em meio a uma luta para salvar o único lar que conheceu. Em parceria com Gemma, uma garota da superfície que veio para o mundo submarino para procurar por seu irmão, Ty se aventura pelas fronteiras do submundo e descobre segredos que podem ameaçar a vida submarina... segredos que podem destruir tudo.

Dark Life: vida abissal é uma distopia (e ficção científica) infanto-juvenil/ juvenil escrita pela autora Kat Falls. O primeiro ponto que chamou minha atenção, logo no começo da leitura, foi o fato de a história se passar, basicamente, no fundo do mar. Oceano/mar é naturalmente algo que me fascina (talvez por ter ido para praia pela primeira vez com 20 dias de vida), então o livro começou empolgante.

A Terra foi devastada por enchentes e as costas começaram a ruir. Procurando uma alternativa para solucionar o problema de superpopulação, cientistas, pesquisadores e representantes do governo começaram a desenvolver protótipos de casas e fazendas submarinas. E é neste contexto que Kat Falls apresenta sua história.

O livro é narrado em primeira pessoa pelo protagonista adolescente Ty, a primeira criança a nascer no fundo do mar (seus pais foram os responsáveis pelo desenvolvimento das casas submarinas e seus sistemas). O grande sonho do personagem é completar 18 anos e receber do governo seus hectares de cultivo no fundo do mar (depois de cinco anos trabalhando e fornecendo parte dos suprimentos para o governo, os colonos recebem a posse pelas terras). Contudo, surpresas acontecem na vida de Ty e seu grande sonho pode estar ameaçado. 

Foto: Nine Stecanella

O que mais gostei em Dark Life: vida abissal foi o fato de o enredo do livro ser completo. Mesmo direcionado ao público mais jovem, ele tem todos os elementos de uma história jovem-adulta e até mesmo adulta, claro que, adaptado ao contexto e a idade dos personagens. Logo no primeiro capítulo a autora introduz a personagem feminina do livro: Gemma, uma adolescente do topo (quem mora na superfície é chamado de topeiro) que está procurando seu irmão no fundo do mar.

Logo no primeiro encontro entre Ty e Gemma a autora apresenta as diferenças entre ser criado no fundo do mar e no topo. Os topeiros, em grande parte, são preconceituosos com quem mora no oceano. Para eles, não é cabível que alguém troque a terra firme pelas águas. Por outro lado, os moradores marinhos não compreendem o porquê de tanta resistência. Afinal, as pessoas que moram no topo precisam dividir tudo que o tem com desconhecidos, o conceito de casa acabou e parte dos jovens é mantida em reformatórios pelos pais.

O enredo segue por vários caminhos: Gemma buscando por seu irmão, Ty desbravando locais “desconhecidos” no fundo do mar, os fazendeiros marítimos lidando com uma gangue de saqueadores e o governo deixando que a população do mar pereça por não assumir as buscas e capturas pelo bando criminoso (muitos gerúndios, mas tudo bem). E sim, todos esses elementos, já na parte final do livro, terão uma conexão direta. Eu tenho um interesse especial por autores que conseguem articular várias linhas de condução diferentes e reuni-las de forma coerente.


Ty e Gemma são ótimos protagonistas e através deles muitos preconceitos são deixados de lado. O garoto conhece mais sobre a realidade do topo e a adolescente entende porque muitos gostam de viver no fundo do mar. Por serem jovens, achei que a autora dosou muito bem a personalidade de cada um, atitudes e escolhas. A maior qualidade de ambos e a valentia. É interessante observar, também as diferenças externas entre as pessoas que moram no topo (expostas constantemente ao sol forte) e os moradores do fundo do mar (que precisam de precauções especiais contra a água salgada, por exemplo).

Outro ponto que vale mencionar é o de que a autora explica muito bem toda a tecnologia que foi desenvolvida no fundo do mar. Uma das maiores dificuldades que tenho em gostar de distopias é porque os autores esquecem de explicar certos pontos da sociedade e nem todos são compreensíveis por dedução.

O grande mistério que ronda o livro e faz o gancho para o segundo volume, Rip Tide, é sobre os dons abissais (referência no título). Acredita-se, baseado no estudo publicado por um médico, que os moradores do fundo do mar desenvolvam capacidades especiais (rastrear peixes pela vibração da água, por exemplo). Porém, nenhum dos moradores confessou ter qualquer tipo de dom/maldição...

A edição da Ciranda das Letras manteve a capa original. O livro tem folhas brancas e o papel lembra muito revista (com uma gramatura maior). Boa diagramação e boa revisão. Indico o livro para leitores jovens, fãs de distopias de todas as idades e fãs de ciências. 

Beijos!

*Livro recebido da editora Autores Associados
**Ajude o blog comprando pelo link indicado no post ou através do banner do Submarino
as compras pagas geram comissão ao Estante da Nine