O começo do adeus de Anne Tyler

29 de novembro de 2012





O começo do adeus
Aprendendo a se despedir...
Autora: Anne Tayler
Editora: Novo Conceito
Edição: 2012
Páginas: 208
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Com deficiência no braço e na perna direita, Aaron passou sua infância tentando se livrar de sua irmã, que queria mandar nele. Então, quando conhece Dorothy, uma jovem tímida e recatada, ele vê uma luz no fim do túnel. Eles se casam e têm uma vida relativamente modesta e feliz. Mas quando uma árvore cai em sua casa, Dorothy morre e Aaron começa a se sentir vazio. Apenas as aparições inesperadas de Dorothy o ajudam a sobreviver e encontrar certa paz. Aos poucos, durante seu trabalho na editora da família, ele descobre obras que presumem ser guias para iniciantes durante os caminhos da vida e que, talvez para esses iniciantes, há uma maneira de dizer adeus.

O começo do adeus é um livro sobre perda. Algumas resenhas negativas fizeram com que eu começasse a leitura sem grandes expectativas e, assim, pude aproveitar as 206 páginas de uma forma positiva. O livro não tem um grande ponto alto no enredo, mas a narrativa de Anne Tayler é agradável e fluída. Além de personagens reais e longe dos padrões estéticos altamente consumidos em parte das obras literárias. 

Aaron perde a esposa, Dorothy, em uma tragédia. O primeiro questionamento do personagem é que tudo poderia ser diferente “se”... Depois de pensar sobre tudo, Aaron chega à conclusão de que as coisas, de fato, poderiam ter sido diferentes ou poderiam ter acontecido exatamente da mesma maneira. 

Anne Tyler intercala a narrativa entre passado e presente para contar ao leitor a história de Aaron e Dorothy e como o personagem enfrenta a morte da companheira. Essa fórmula deixa o livro mais dinâmico e não cai no erro de retratar apenas drama ou romance. Gradativamente os personagens que cercam Aaron também ganham notoriedade. Tudo na medida certa. 

Foto: Nine Stecanella




Eu demorei um pouco para compreender o propósito do livro. Depois de alguns capítulos e muito pensar, cheguei a algumas conclusões. O relato da rotina diária de Aaron, na minha interpretação, mostra como as pessoas se agarram a uma razão para seguirem em frente depois de uma perda (especialmente inesperada). Preenchem o máximo de tempo do dia com algo que possa ser (ou parecer) produtivo.

Contar o passado da relação é uma forma de reviver momentos alegres e tristes. De ver sutilezas antes esquecidas e perceber que um relacionamento nunca é perfeito, mas o choque da perda reforça o quanto a pessoa é importante na vida. As aparições de Dorothy são descritas de forma sutil e leve e não fazem referências a nenhuma religião. Ao final, o leitor pode interpretar a sua maneira. Seria um espírito? Um fantasma? A alma de Dorothy? (Não seriam todas as palavras sinônimas para um mesmo fenômeno?) Ou seria apenas a mente de Aaron revivendo momentos antes esquecidos e palavras não lembradas?! 

O trabalho na editora da família rende algumas cenas engraçadas, mas nada que destoe do contexto geral do livro e o final me surpreendeu. Eu não esperava um desfecho como o escolhido por Anne Tayler para seu personagem, Aaron. Foi positivo, devo ressaltar. 

A edição da Novo Conceito segue o padrão de boa diagramação e páginas amarelas, com um pequeno detalhe no início de cada capítulo ou na separação de um paragrafo e outro quando o texto muda de “tempo ou lugar”. O único ponto que destoou foi a capa. Não encontrei, ao longo do livro, nenhum momento que pudesse ter servido de inspiração. 

Indico o livro para quem gosta de histórias com um toque de realidade, drama, boa narrativa e de rápida leitura.

Beijos!
*Livro recebido da editora Novo Conceito
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