Tortura cor-de-rosa de Lycia Barros

8 de junho de 2012





Tortura cor-de-rosa
As meninas também sabem ser cruéis
Autora: Lycia Barros
Editora: Atitude [Habacuc]
Edição: 2011
Páginas: 149
| SKOOB |
Ao mudar-se para São Paulo com seus pais, Ava pensou que poderia ter uma vida normal, como a de todas as meninas da sua idade, que têm amigas com quem conversar, com quem sair e com quem divertir-se naquela cidade cosmopolita. O novo bairro é bonito e elegante, e o novo colégio parece-lhe uma promessa de novos dias por viver, repletos de bons acontecimentos. Porém, já no primeiro dia de aula, Ava descobre que nem mesmo ali a vida é perfeita. Sem que saiba direito como, torna-se alvo de uma garota cruel, que está sempre cercada por fiéis seguidoras, com as quais forma uma espécia de gang. É quando tem início o bullying, que tornará a vida de Ava um inimaginável e completo inferno. "Ava encarou-a por um momento, abalada, tentando disfarçar o pavor que se espalhava pelo seu corpo e as lágrimas que ameaçavam cair de seus olhos. Sentiu-se tomada por um ódio desconhecido. Queria asfixiar aquela garota. Jamais, em tempo algum, pensara que um dia fosse sofrer ameaças daquele tipo, de humilhação mórbida. Dois sentimentos fortes brotaram-lhe: a indignação e o desejo de vingança. Porém, o medo se espremeu entre eles. Se Jaque tinha mesmo feito aquilo com Yoshie, porque não faria com ela?"

Meu primeiro pensamento quando recebi Tortura cor-de-rosa, através de um booktour organizado pela Tati foi: "é o primeiro livro sobre bullying que vou ler com esse propósito explícito". Muitos livros classificados como jovem-adulto abordam esse elemento em seus enredos, mas Lycia Barros criou uma história onde ele é o ponto principal. 

Embora seja um livro curto, a autora desenvolveu as principais características dos personagens principais, fazendo com que o leitor conheça as qualidades e defeitos de cada um. O romance também ficou na dose certa, especialmente levando em conta o público principal, infanto-juvenil. Isso não quer dizer que o livro seja limitado a essa faixa etária. Durante a leitura pude relembrar acontecimento do meu tempo de escola, quando o bullying e a maldade entre os alunos não eram tratados como hoje em dia. 

A narrativa de Lycia Barros é ótima, coerente e sem exageros. Outro ponto importante é a religiosidade de Ava, a personagem principal, tratada com muita delicadeza pela autora, que não quer doutrinar seus leitores, mas mostrar que famílias (e adolescentes) ainda conservam sua fé e hábitos religiosos. Já a antagonista do livro, Jaque, é a maldade personificada na forma de uma adolescente. 

O livro é uma mistura de momentos bons e ruins na vida da personagem principal. A mudança de Ava para São Paulo foi uma ponte para o amadurecimento da garota, mas sem ultrapassar os limites da sua idade. Outro ponto interessante são as atividades propostas no início do livro, para discussão em sala de aula, por exemplo. 

Lycia Barros escreveu sobre superação. Todos que já passaram por momentos de dificuldades na adolescência devem ler Tortura cor-de-rosa, especialmente as meninas!

Beijos!