Marnie de Winston Graham

4 de janeiro de 2020




Marnie
Autor: Winston Graham
Tradutora: Virgínia Lefèvre
Editora: Abril Cultural
Edição: 1981
Páginas: 302
Skoob | Goodreads
Compre no Estante Virtual

LEIA TAMBÉM
Jornada de esperança de Brian Aldiss
Marnie é uma mulher de 23 anos, bonita e inteligente, mas dotada de uma personalidade histérica. Ela rouba, usando de todas as artimanhas que sua esperteza a faz criar. Vangloria-se de sua liberdade e de sua inteligência, mas não é uma mulher feliz. Repudia os homens, porque tem horror a sexo. Com todos esses problemas, Marnie vai vivendo, nas páginas do livro, uma história de crescente suspense, que culmina num final surpreendente.

A jovem e bela Marnie viaja pelas cidades da Inglaterra roubando as empresas que trabalha. Após cada golpe a personagem muda de aparência, desaparece por algum tempo e cria uma nova personalidade, dando início ao próximo ciclo e outra vida. O ponto de partida da história de Winston Graham é esse e a missão durante esse texto de recomendação é apresentar as muitas camadas da personagem (e do livro).



Marnie roubou pela primeira vez quando criança e foi muito reprimida pela mãe. Desde então ela assimilou que não necessariamente o roubo é errado, mas ser descoberta é o grande problema. Competente na contabilidade, discreta e de boa aparência, Marnie está acima de qualquer suspeita, e é por isso que durante um bom tempo tudo da certo nas suas artimanhas.

Ainda no primeiro terço inicial do livro Winston Graham faz uma boa apresentação da personagem, que tem como um dos gatilhos a enfermidade da mãe e por isso segue na vida de roubos, com o intuito de oferecer uma estabilidade à mulher e a amiga que a criaram, mas existe mais – e por muitos capítulos o leitor, mesmo com as pistas, não entende o mistério que paira sobre a vida de Marnie (e sua família).


Na metade do livro, mais ou menos, acontece a primeira reviravolta significativa na vida de Marnie. Descoberta, a protagonista é obrigada a viver uma vida sob chantagem para não ir para a cadeia. O homem envolvido, ex-militar e empresário de sucesso, parece alvo fácil para a inteligência de Marnie, mas logo isso muda e fica claro que ele também tem seus mistérios para querer se envolver com uma ladra assumida e insistir num relacionamento fadado ao fracasso.

As lembranças de infância de Marnie são elementos importantes do enredo, mesmo que nem sempre objetivas. O passado, e de certa forma a pobreza da personagem, fazem dela uma pessoa atenta e distante, com aquele receio de não ser incluída ou não se sentir parte do lugar. Esse tema conversou demais comigo porque por anos e anos vivi com complexo de inferioridade e possivelmente foi o traço da personagem que mais me causou empatia.



A segunda revelação do livro (e reviravolta), é minha parte favorita da história porque finalmente revela o passado da família de Marnie e especialmente da mãe. Nesse trecho o tio da personagem aparece, a única figura masculina que de alguma forma Marnie admira, e a melhor amiga da família também ganha destaque. O clima de suspense se acentua e a protagonista precisa encarar um grande dilema existencial.

O final inconclusivo me deixou divida com Winston Graham porque apesar da demora em ler a primeira parte do livro, também pela ressaca literária, eu devorei as 150 páginas finais em três dias e talvez, não sei, eu esperasse nesse ponto algo épico e dramático. A história de Marnie, com perdas significativas nas páginas finais, deixa inúmeras possibilidades de interpretações.


Os dois momentos diferentes do livro, e o final aberto, fez Marnie entrar na lista das histórias de remoer por dias. O debate sobre a influência dos pais na vida dos filhos é relevante, assim como a punição pelo crime e a real possibilidade de uma disfunção, uma doença. Eu adoro ler histórias de meados do século XX, porque existem muitos elementos familiares, e ao mesmo tempo a chegada da internet com certeza dificultaria a vida de Marnie, já pensou? Logo mais eu volto para falar sobre a adaptação de Alfred Hitchcock.

Beijos!

Fotos: Nine Stecanella
*Ajude o blog comprando através dos banners da Amazon e Submarino;
as compras pagas geram comissão ao Estante da Nine

2 comentários

  1. Oi Nine!
    Eu raramente comento, mas acho muito interessante suas leituras desse selo (?) Abril Cultural. Tem muitos títulos que apareceram por aqui que quero ler.

    Abs.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Kelly! A coleção é extensa desse selo, são mais de 100 livros, e aos poucos estou garimpando no sebo cada história. Até agora tenho gostado muitos dos títulos, com gêneros e autores diversos, é sempre bom intercalar os estilos de livros!

      Abraço!

      Excluir

Olá! Deixe sua opinião. ;)