O lado mais sombrio de A.G. Howard

22 de dezembro de 2014



O lado mais sombrio
#1 Splintered
Bem vindo ao verdadeiro País das Maravilhas
Autora: A.G. Howard
Editora: Novo Conceito
Edição: 2014
Páginas: 368
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Alyssa Gardner ouve os pensamentos das plantas e animais. Por enquanto ela consegue esconder as alucinações, mas já conhece o seu destino: terminará num sanatório como sua mãe. A insanidade faz parte da família desde que a sua tataravó, Alice Liddell, falava a Lewis Carroll sobre os seus estranhos sonhos, inspirando-o a escrever o clássico Alice no País das Maravilhas.Mas talvez ela não seja louca. E talvez as histórias de Carroll não sejam tão fantasiosas quanto possam parecer. Para quebrar a maldição da loucura na família, Alyssa precisa entrar na toca do coelho e consertar alguns erros cometidos no País das Maravilhas, um lugar repleto de seres estranhos com intenções não reveladas. Alyssa leva consigo o seu amigo da vida real o superprotetor Jeb , mas, assim que a jornada começa, ela se vê dividida entre a sensatez deste e a magia perigosa e encantadora de Morfeu, o seu guia no País das Maravilhas. Ninguém é o que parece no País das Maravilhas. Nem mesmo Alyssa...

Oi gente, tudo bem? Hoje vou escrever sobre O lado mais sombrio, primeiro livro da trilogia Splintered de A.G. Howard, lançado no Brasil em 2014 pela editora Novo Conceito. Já quero adiantar que esta foi uma das leituras que mais me dividiu neste ano: gostei muito da proposta e do início com ritmo intenso, mas discordei seriamente de algumas decisões da autora ao longo do enredo. Mais uma vez a sinopse do Skoob funciona bem como resumo, então vamos pular para as impressões, certo?!

A.G. Howard escreveu O lado mais sombrio como um tributo a Lewis Carroll e o primeiro elemento que gostei na história foi a conexão hereditária com a menina Alice de o País das Maravilhas. Todas as mulheres da linhagem sofreram e sofrem com certos “distúrbios” que sempre foram considerados loucura. Até chegarmos a protagonista da história, Alyssa, que também acredita ter alucinações já que pode ouvir insetos e plantas.


Alyssa é uma das protagonistas mais interessantes que conheci em livros jovens. Além de lidar com as alucinações, enfrenta uma longa internação da mãe no sanatório (lugar que, tem certeza, frequentará em pouco tempo), percebe o pai desanimando e perdendo a esperança a cada dia, encara um amor não correspondido pelo melhor amigo que namora, é lógico, sua “arqui-inimiga” da escola e, além disso tudo, tem uma tendência exótica para a criação artística. A narrativa em primeira pessoa me colocou dentro da história logo no começo.

Até que aos poucos os elementos fantásticos começam a surgir. Se você gosta de detalhes e explicações sobre fatos, provavelmente o enredo vai decair a partir deste trecho para você (o que aconteceu com o Henri, já que O lado mais sombrio foi outra de nossas leituras triplas junto com a Mah). Eu, particularmente, aceito encarar uma sucessão de acontecimentos desde que façam sentido e as respostas surjam em algum momento. Gostei de como a autora trabalhou o contexto e o mundo contemporâneo para levar Alyssa ao começo de tudo, embora algumas cenas sejam, não posso mentir, extremamente convenientes.

O meu problema com o livro começou já no País das Maravilhas. O Jeb melhor amigo de Alyssa que conhecemos no início da história parece ter morrido no trajeto ao mundo fantástico e voltado como um ditador. Toda minha simpatia pelo casal acabou depressa e fiquei torcendo para que algo bizarro acontecesse com Jeb para que ele sumisse por algumas páginas. Morfeu, o outro lado da moeda e habitante do mundo visitado por Alice, conquistou minha simpatia na primeira aparição (lembrem que tenho a tendência a gostar dos “vilões”) e, a partir de determinado momento do enredo, eu estava mais interessada em saber sobre os infortúnios do Pais das Maravilhas do que sobre a maldição da família de Alyssa.



O livro segue com muitas conveniências e poucas respostas. Apesar de parecer um ponto extremamente negativo, pelo menos as situações fazem sentido. Ainda assim, até eu que sou uma leitora tolerante em vários aspectos, fiquei com a impressão de que faltou certo equilíbrio da autora em contextualizar e dar respostas ao leitor e, ao mesmo tempo, manter certos mistérios. Quando terminei O lado mais sombrio, continuei no universo de Splintered com o conto A mariposa no espelho pela visão de Jeb e Morfeu, mas o extra da história não mudou em nada minhas impressões sobre os personagens e nem trouxe fatos novos relevantes.

O lado mais sombrio começou com aquela cara de que seria leitura favorita e terminou “só” bom. Apesar de ter discordado de algumas decisões de A.G. Howard ao longo do enredo, o livro tem uma proposta interessante e algumas cenas muito legais. Embora a história tenha decaído daquilo que eu esperava, gostei da leitura e acho que vale a pena especialmente para os fãs de releituras de clássicos e do próprio universo de Alice no País das Maravilhas. Aquela dica de sempre: não comece com enormes expectativas, ok? A editora Novo Conceito manteve as capas americanas e, apesar dos modelos, adorei. O trabalho gráfico do livro está lindo, com boa fonte e entrelinha, além dos detalhes no início de cada capítulo. Encontrei alguns erros de revisão, mas nada que comprometa a leitura.


E vocês, já leram O lado mais sombrio ou gostariam de ler? O que acham das releituras das histórias clássicas? Espero que tenham gostado do post de hoje e comentem aqui embaixo! Em breve volto para comentar sobre Atrás do espelho.

Beijos!
Fotos: Nine Stecanella
*Livro recebido da editora Novo Conceito
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