Alma? de Gail Carriger

28 de janeiro de 2014





Alma?
#1 O Protetorado da Sombrinha
Autora: Gail Carriger
Editora: Valentina
Edição: 2013
Páginas: 308
Skoob | Goodreads
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Alexia Tarabotti enfrenta uma série de atribulações sociais, quiproquós e saias justas (embora compridíssimas) em plena sociedade vitoriana. Em primeiro lugar, ela não tem alma. Em segundo, é solteirona e filha de italiano. Em terceiro, acaba sendo atacada sem a menor educação por um vampiro, o que foge a todas as regras de etiqueta. E agora? Pelo visto, tudo vai de mal a pior, pois a srta. Tarabotti mata sem querer o vampiro ― ocasião em que a Rainha Vitória envia o assustador Lorde Maccon (temperamental, bagunceiro, lindo de morrer e lobisomem) para investigar o ocorrido. Com vampiros inesperados aparecendo e os esperados desaparecendo, todos parecem achar que a srta. Tarabotti é a responsável. Será que ela conseguirá descobrir o que realmente está acontecendo na alta sociedade londrina? Será que seu dom de sem alma para anular poderes sobrenaturais acabará se revelando útil ou apenas constrangedor? No fim das contas, quem é o verdadeiro inimigo, e... será que vai ter torta de melado?

Devo começar este post dizendo que Alma? foi uma das leituras que mais gostei em 2013 (confira o vídeo de favoritos). Antes mesmo de começar, eu já tinha aquela impressão de que o livro seria bom e felizmente foi mesmo. A sinopse acima, retirada do Skoob, dá uma boa ideia do que encontrar na história e do seu ponto de partida. Então vou partir direto para as minhas impressões sobre Alma?.

O primeiro ponto que vale destacar é que muitas coisas acontecem ao mesmo tempo na história (ok, Nine, isso é o que geralmente conduzem os livros né?). O que eu quero dizer é que muitas situações relevantes para o enredo estão conectadas. Nem todas ficam tão óbvias no começo, mas a partir da metade do livro tudo começa a se encaixar e a se alinhar. Resumindo a ideia geral: tudo está ali por um motivo. Gail Carriger não escreveu apenas para deixar o livro mais “cheio”.

As primeiras páginas, confesso, não foram tão envolventes. Lutei um pouco com o começo, especialmente quando estamos conhecendo a protagonista Alexia. Nosso primeiro contato é com as convenções londrinas, as regras de etiqueta e os prejulgamentos. Porém, desde o início arrastado, somos bem ambientados no cenário geral que Gail Carriger escolheu para contar sua história.

Alexia é especial porque não tem alma. Ou seja, ela neutraliza os poderes de vampiros e lobisomens (mais ou menos como a Vampira de X-Men, mas ela não mata as pessoas se tocá-las por muito tempo). A sociedade londrina conhece e convive com estes seres sobrenaturais, mas existe a desconfiança mútua de que um está tentando derrubar o outro. E é assim que começa a trama de mistério.

Os dois grandes méritos deste livro são a protagonista ácida e inteligente e a mistura de sobrenatural, mistério, aventura e as preocupações que uma jovem deve ter dentro da sociedade em que vive. Alexia é considerada uma solteirona e sofre com as críticas da mãe e das irmãs por ser morena (filha de pai italiano) e não seguir exatamente os padrões londrinos. Apesar disso, ela não encara toda a situação com fatalismo, o que vale pontos ao livro por excluir toda a chatice depreciativa.


Além disso, Alexia é amiga de vampiros e lobisomens e ao mesmo tempo que a situação traz certos benefícios, rende cenas engraçadíssimas e delicadas. Porém, misteriosamente alguns membros do grupo de sobrenaturais começam a sumir e Alexia está envolvida na morte de um deles... Claro que ela se torna o alvo perfeito para uma investigação.

Felizmente o livro não tem triângulo amoroso, embora tenha uma história não exatamente de amor. Em certos momentos temos a impressão de que Alexia está dividida, mas com o passar das páginas, conhecemos melhor os personagens e percebemos que não, não é o que pensávamos no princípio.

Muitos detalhes ficaram em aberto e os próprios elementos steampunk não são tão presentes neste primeiro livro de O Protetorado da Sombrinha, embora eles existam. O foco da história está mais ligado ao mistério dos desaparecimentos e como Alexia vai ganhando espaço, especialmente dentro da sociedade sobrenatural, mas também na convencional londrina, após o final deste primeiro volume.

Com um enredo repleto de segredos, ação, mistério e um tantinho de futilidade londrina, o que é sempre divertido, Alma? é mais do que indicado aos leitores que procuram uma leitura envolvente e com uma personagem ácida e determinada. Precisamos de mais Alexias na literatura jovem adulta, sem dúvida.

Lembre-se de que a série é longa. Lá fora, são cinco volumes lançados. A editora Valentina manteve a imagem de capa da edição americana, o que gostei (embora a modelo não seja tão parecida quanto imaginei Alexia). As páginas são em papel polén soft (aquele amarelinho que amamos) e a edição tem detalhes fofos em todas as páginas. Não encontrei grandes erros de revisão. Espero voltar em breve para falar de Metamorfose?, livro dos da série.

Beijos!
Foto: Nine Stecanella
*Livro recebido da editora Valentina
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