O Vale dos Anjos - O Torneio dos Céus por Leandro Schulai

9 de março de 2011




O Vale dos Anjos: O Torneio dos Céus
Autor: Leandro Schulai
Editora: Novo Século
Edição: 2010
Páginas: 416
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A morte tem o poder de separar um amor? Para muitas pessoas a frase “até que a morte os separe” é a afirmação de que morrer é o fim de tudo, inclusive para o amor. Mas se fizermos essa pergunta para o grego Dimitris Saloustros a opinião será bem diferente. Com uma morte precoce e uma promessa feita à sua amada o rapaz parte em busca do desconhecido Vale dos Anjos, local onde se encontram as maravilhas do paraíso e o medo e apreensão das oito prisões, em busca de cumprir o seu feito. Auxiliado pelo anjo guia de enterro Obelisco cujo humor o ajuda nos momentos difíceis, pela cupido Anne cuja beleza é incomparável e treinado pelo misterioso mestre Ramirez, Dimitris parte em uma jornada recheada de grandes belezas, pessoas marcantes e mistérios complexos que o farão perceber que nada é por acaso e que sua estadia nesse misterioso local já era aguardada a muito tempo...

Sabe quando a curiosidade é grande e só depois de muito tempo, enfim, você mata? Com O Vale dos Anjos foi assim. Minhas expectativas eram altas e o livro correspondeu ao que eu imaginava. A obra de Leandro Schulai, antes de uma ficção ou um romance, é um ponto incomum de reflexão. 

A ficção
O jovem grego Dimitris morre em um acidente de carro encerrando assim sua vida na Terra. Não muito crente quando vivo, ele se depara com algumas novidades pós-morte, entre elas, seu julgamento. Quando tudo parece encaminhar Dimitris para as oito prisões e o sofrimento eterno, seu destino muda graças a sinceridade e coragem. Assim, ele descobre que seu destino é o paraíso. 

Eu nunca tinha parado para pensar seriamente nesse assunto, por isso usei o termo incomum ali em cima. Fiquei realmente achando que o pós-morte poderia funcionar dessa maneira, afinal, desde criança a maioria de nós vive entre o certo e errado, paraíso e inferno. Nossas ações sempre são a referência do que será nosso julgamento, se é que ele realmente existe. 

O romance
Mesmo com o destino reservando uma surpresa, Dimitris em nenhum momento se sente feliz no paraíso, onde tudo de melhor é vivido sempre, pela eternidade. Jovem e sem amigos quando vivo, suas únicas alegrias eram o pai adotivo, falecido, e a mulher. Sozinha no mundo, o sofrimeto da esposa faz com que Dimitris crie uma obsessão: voltar a Terra. Quando chega ao paraíso, de imediato faz dois grandes amigos, que mesmo correndo riscos, ajudam Dimitris nessa ideia maluca de voltar para a Terra. Enquanto isso, procura pelo seu pai no paraíso, mas não encontra nenhum sinal de onde ele possa estar. 

Por vezes pensei que Dimitris é excessivo demais, com a ideia de voltar à Terra, afinal, sabemos que a morte é a única certeza, estando vivo, e que o paraíso é o melhor depois disso, mas ele não aceita, e por sua mulher arrisca ir para as oito prisões tentando voltar a viver na Terra.

O Torneio dos Céus
A grande oportunidade de Dimitris voltar a Terra surge com O Torneio do Ceús, o evento mais importante do paraíso que dá ao vencedor o título de anjo-semideus. Vencendo e conquistando esse posto, Dimitris pode voltar a Terra, e ficar com sua mulher. Claro, correndo o risco de ser descoberto e banido do paraíso. 

É assim que começa a melhor e mais misteriosa parte do livro. Dimitris é levado ao treinador, que tem a missão de fazer com que ele desenvolva seus poderes. E ele supera todas as expectativas. Enquanto isso, é observado atentamente por pessoas do paraíso e oito prisões, deixando no ar o que pode acontecer na sequencia dessa ótimo história.

No final, nem tudo sai como Dimitris quer, e uma grande reviravolta muda o rumo de sua vida no paraíso...

Confesso que não fui um exemplo de seguidor de fé e que nunca fui um seguidor exemplar de alguma religião, e sei também que não foi minha melhor atitude, mas nunca prejudiquei ninguém com isso e não pratiquei nenhuma maldade por causa dessa escolha. Será que eu posso ser condenado por isso? Por uma escolha? Por um pensamento? Uma maneira de viver? Será que pessoas ruins só por terem fé valem mais que eu? Se for assim, com todo respeito, acho que está na hora de vocês reverem os critérios de julgamento daqui.
Página 44

Beijos!