A revolução dos bichos de George Orwell

27 de dezembro de 2010




A revolução dos bichos
Autor: George Orwell
Editora: Companhia das Letras
Edição: 2007
Páginas: 147
Compre no Submarino

Cansados da exploração a que são submetidos pelos humanos, os animais da Granja do Solar rebelam-se contra seus donos e tomam posse da fazenda, com o objetivo de instituir um sistema cooperativo e igualitário, sob o slogan “Quatro pernas bom, duas pernas ruim”. Mas não demora muito para que alguns bichos – em particular os mais inteligentes, os porcos – voltem a usufruir de privilégios, reinstituindo aos poucos um regime de opressão, agora inspirado no lema “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”. A história da insurreição libertária dos animais é reescrita de modo a justificar a nova tirania, e os dissidentes desaparecem ou são silenciados à força. Instrumentalizada na época da Guerra Fria como arma anticomunista, A Revolução dos bichos transcende os marcos históricos da ditadura stalinista que a inspirou e resplandece hoje, passados mais de sessenta anos de seu surgimento, como uma das mais extraordinárias fábulas sobre o poder que a literatura já produziu.

QUALQUER COISA QUE EU ESCRVER PODE SER SPOILER! ;)

Muito difícil falar de um livro que tem uma conotação política e tanto. Pra não falar besteira, vou escrever o principal sobre ele, com meu ponto de vista, é lógico. A revolução dos bichos foi o melhor livro de 2010. Sem dúvida. Fugiu das minhas leituras sobrenaturais e de fantasia. Embora, é claro, esse livro tenha um “quê” fantasioso, se for lido como uma fábula animal. Duplo sentido. Atual.

É o melhor livro porque continua sendo atual. Preciso enfatizar isso. Então, você pode ler o resumo da contracapa logo acima. Com isso dá pra imaginar o enredo sem eu precisar soltar tantos spoilers. 

Então. O livro fala da opressão que os animais sofriam do sr. Jones, dono da Granja do Solar, que exigia ao máximo seus animais, oferecendo a eles menos que o básico para sobreviver. Decidem se rebelar e tomam o poder. E a partir daí o livro é um tapa na cara, não só da sociedade russa e arredores, originalmente escrito como uma obra anticomunista, mas para todo o contexto da política mundial. 

Começando pelo fato de que os porcos são os animais mais inteligentes da granja, logo tomam o poder. O significado de igualdade entre os bichos cai por terra, assim como muitos que lutam pela igualdade humana, mas bem no fundo, não acreditam em tal valor. E entre os dois líderes, Bola de Neve e Napoleão, há constantes desentendimentos, até que Napoleão expulsa Bola de Neve, e então toma o poder. Atribui a Bola de Neve todas as coisas erradas da agora Granja dos Bichos. E começa uma sucessão de coisas sem explicações [que se explicam no final, com a moral do livro]. O máximo que posso falar sobre a história, senão mega spoiler. 

Outro ponto que me chamou muito atenção é a manipulação de opiniões e a opressão e punição de supostos “traidores”. Não é preciso ir longe para se observar isso na política. Tanto nacional, quanto mundial. Assim, os bichos eram facilmente ludibriados pelo grande poder da oratória de alguns porcos. Outros bichos acreditavam tão fielmente no líder Napoleão, que nunca, sequer por um momento, questionaram a grande contradição que o porco começava a demostrar. 

As duas frases da introdução desse post, escritas dentro do resumo, são grandes alegorias de como as coisas são justificáveis conforme os interesses. E claro, a grande crítica do livro, sobre os animais [os porcos] que de forma gradativa se aproximavam cada vez mais dos humanos, contradizendo o ideal de revolução e resignificando a política da Granja dos Bicho, transformada novamente em Granja do Solar.

Sentiu alguma semelhança com o político que votou na última eleição?
Beijos!


*Ajude o blog comprando pelo link indicado no post ou através do banner do Submarino
as compras pagas geram comissão ao Estante da Nine