O terceiro anjo de Alice Hoffman

14 de outubro de 2018




O terceiro anjo
Autora: Alice Hoffman
Tradução: Pedro Barros
Editora: Planeta
Edição: 2011
Páginas: 272
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O terceiro anjo foi daqueles livros que tirei da estante sem lembrar a sinopse e sem conhecer a história e a autora. O bom desse tipo de experiência de leitura é que sempre existe a possibilidade de se surpreender e foi o que aconteceu comigo. O enrendo do livro é contado através de três blocos diferentes que ao final se conectam e formam a história. Nas primeiras páginas a autora não me conquistou, mas a partir da metade do livro as coisas mudaram e muito.

A esposa do garça é a história que abre o livro e a contemporânea na linha do tempo. Nela existe um conflito entre duas irmãs que se transforma num drama quase insuperável durante os preparativos do casamento de uma delas. Desde jovens, por conta da doença da mãe, as mulheres assumiram personalidades diferentes o que fez com a distância entre elas crescesse na vida adulta.



Lion Park é a segunda história da linha do tempo e fala principalmente sobre as expectativas de um pai em relação a filha e como ela, por mágoa da separação, resolve não seguir o caminho pré determinado pela família. Nesse turbilhão de emoções se envolve com um homem que não corresponde sua atenção.

As regras do amor fecha o livro e a linha do tempo e fala sobre um amor proibido pela família e pela sociedade e como viver uma vida falsa afeta a perspectiva de uma pessoa. Pela visão de uma jovem adolescente descrente a autora explora o amor nada perfeito, aquele que causa dor e incomodo principalmente quando há interferência da opinião alheia e opressão envolvida.

A primeira história foi a que menos gostei, me trouxe de imediato uma impressão negativa do livro e do tipo de situação que Alice Hoffman resolveu retratar, do comportamento das personagens e do tipo de rivalidade que pode existir em uma família. Apesar de não concordar com o desfecho do primeiro trecho, ele faz sentido e encerra um ciclo negativo entre duas pessoas que poderia se amar incondicionalmente.

Lion Park também tem um momento impulsivo, mas fui bem mais simpática a essa história porque ela começa a trazer uma sensação diferente para o livro, mas reflexiva e menos chocante a qualquer custo. O segundo trecho é especialmente sobre escolhas e caminhos e as consequência de cada passo, cada alternativa, traz para a vida das pessoas.

O trecho final é meu favorito. As regras do amor é principalmente uma história sobre conflitos visto pela perspectiva de uma jovem de 12 anos que não acredita em nada. Ao mesmo tempo que Alice Hoffman inclui a menina no enredo, tem o cuidado de tratar o tema da rejeição com sutiliza e sem a agressividade da primeira história, que como eu já disse me deixou muito irritada com o livro.



A sinopse acerta ao ressaltar que as protagonistas do livro se envolvem em relacionamento impulsivos, até abusivos, e que existe todo tipo de amor, desde o que conforta até aqueles que desafiam e destroem, e que certas decisões tem consequências irreparáveis. Os problemas e discordâncias familiares também são parte importante do enredo, principalmente depois das três histórias conectadas.

Outros pontos essenciais do livro são o hotel, cenário em que parte das três histórias se passa, o fantasma ligado ao Lion Park e como três gerações são influenciadas pela história dele. Doenças que afetam a família e como isso causa efeito cascata em todos próximos, como cada um cria um escudo diferente para lidar com a situação e os resultados que isso causa na personalidade a longo prazo.

O terceiro anjo de Alice Hoffman entrou para a lista dos livros surpreendentes porque superou o começo não tão legal e me conquistou com a sequência do enredo. Minha nota para a história foi de quatro estrelas no Skoob e recomendo para os leitores que gostam de drama, romances e histórias familiares. A estrutura do livro também é um diferencial, assim como as épocas diferentes de cada histórias, meus pontos favoritos e destaques da leitura.

Beijos!

Fotos: Nine Stecanella
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