Mathilda Savitch de Victor Lodato

25 de janeiro de 2017



Mathilda Savitch
Autor: Victor Lodato
Editora: Intrínseca
Edição: 2012
Páginas: 312
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Mathilda Savitch tem conflitos que extrapolam as dores comuns da adolescência: sua irmã mais velha é brutalmente assassinada, jogada na frente de um trem por um desconhecido. Com a angústia de uma nação em guerra contra o terrorismo e os pais enlutados pela tragédia familiar, Mathilda decide usar a maldade para provocar alguma reação neles, que estão completamente catatônicos. Eleito o melhor livro de 2009 pelo The Christian Science Monitor, pela Booklist e pelo The Globe and Mail, o romance de estreia do poeta e dramaturgo Victor Lodato retrata, de maneira impressionante, a vulnerabilidade e a aparente ousadia adolescente.



Na dúvida entre publicar ou não um comentário sobre Mathilda Savitch eu optei pelo sim. Não é um livro muito falado na blogosfera e apesar do misto de amor e ódio com a leitura, a história de Victor Lodato tem sim alguns temas muito importantes para se comentar e debater, mesmo que parte deles não ganhe o merecido espaço no enredo. Além disso, o livro entrou para minha categoria de jovem adulto com personagem destrutivo, então merecia esse registro no Estante da Nine.

Mathilda Savitch é uma jovem em transição entre a infância e adolescência que vive um momento pessoal e familiar conturbado. A história começa uma semana antes do aniversário de um ano da morte da irmã mais velha de Mathilda, Helene, e no trecho inicial expõe especialmente a relação nada boa da jovem com os pais. Isso porque Mathilda quer falar sobre Helene, enquanto o pai e a mãe fogem do tema sem nem disfarçar. Através desse gancho Victor Lodato escreve seu livro, incluindo outros temas peculiares a idade da protagonista.



A primeira coisa que me chamou a atenção no livro foi a escolha de Victor Lodato em apresentar uma personagem que tenta, de todas as maneiras, ser desagradável. O principal propósito de Mathilda é chocar os pais para que eles saiam da catatonia da perda da filha mais velha, mas o que a personagem consegue é agravar a situação. Narrado em primeira pessoa, em muitos momentos o livro induz o leitor por um caminho, afinal estamos acompanhando tudo pelo ponto de vista de Mathilda, mas a partir da metade da história fica claro que alguns pontos não se encaixam e que há muito mais em jogo. Principalmente sobre a morte de Helene.

Além do tema morte e como cada um reage a ela, o livro traz alguns outros assuntos pertinentes a essa fase de transição, onde não se é mais criança, mas os dilemas também não são os de adolescentes, entre eles religiosidade, através da melhor amiga de Mathilda criada num lar cristão; abuso, quando o vizinho da protagonista se comporta de forma desprezível, sexo – será que já é hora de pensar nisso ou não?; e regras e normas, que existem para quebrarmos e também para trazer algumas consequências bem graves a quem não respeita-las.

Mathilda Savitch foi uma leitura rápida, principalmente porque o livro me acompanhou nas idas e voltas para o trabalho, mas durante toda a experiência eu fiquei dividida entre gostar muito e não gostar nada. Um dos motivos é porque eu adoro personagens realistas e apesar de ter detestado Mathilda do início ao fim, o comportamento dela é condizente com a situação, pelo pior caminho possível, mas ainda assim coerente.



O que me incomodou foi que os outros temas, alguns que citei no parágrafo anterior, poderiam e deveriam ter sido mais significativos para o enredo, mas não foram. Com isso o livro gira muito em torno do mesmo assunto, a morte de Helene, e cita de passagem e sem debater as consequências os demais dilemas, que são importantes para a personagem. O final também me deixou decepcionada, especialmente por ser vago, e não demonstrar o amadurecimento devido para Mathilda.

Avaliei Mathilda Savitch com três estrelas no Skoob. Apesar do potencial, a história focou em um único tema, que é sim importante e mostra como a morte afeta as pessoas de maneira diferente, mas poderia explorar tantos outros assuntos pertinentes aos pré-adolescentes e adolescentes. A leitura valeu a pena, embora não tenha sido favorita, e sei também que não é o tipo de livro que agrada a muitos leitores, mas para quem já tem na estante fica a sugestão e para quem gosta de histórias com jovens destrutivos também.

Beijos!
Foto: Nine Stecanella
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