Fragmentados de Neal Shusterman

24 de setembro de 2015






Fragmentados
#1 Fragmentados
Autor: Neal Shusterman
Editora: Novo Conceito
Edição: 2015
Páginas: 320
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Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria. Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.

Como começar a escrever sobre um livro que adorei cada página do início ao fim? Porque foi exatamente isso que aconteceu com Fragmentados de Neal Shusterman, uma distopia repleta de suspense e mistério e, na minha opinião, com um toque bem presente de ficção científica. Foi o livro mais marcante, real e cruel do ano até aqui e mesmo querendo comentar sobre cada capítulo, farei o possível para fugir dos spoilers. Afinal, eu quero que TODOS vocês leiam.

Depois de uma guerra, as leis sobre a vida mudaram radicalmente. A sociedade de Fragmentados ao mesmo tempo que tem soluções práticas e rápidas para lidar com jovens problemáticos e bebês indesejados, também tem uma realidade cruel, descompromissada e radical sobre a vida humana. Mascarada de melhor alternativa possível, neste mundo os adolescentes que fogem as regras vão para a fragmentação. Ou seja, eles são desmembrados e cada parte de seus corpos segue para um receptor diferente. Tudo é muito sinistro, porém eficaz, até conhecermos os protagonistas da história.

Fotos: Nine Stecanella


E o primeiro ponto positivo do livro está aí: nos personagens. Narrado em terceira pessoa, Neal Shusterman nos conduz pela vida de Connor, um garoto rebelde que descobre que os pais assinaram sua ordem de fragmentação; Risa, uma órfã abandonada aos cuidados do Estado que depois de um teste de piano vê sua vida desmoronar ao descobrir que será fragmentada por cortes de gastos e Levi, um jovem de família religiosa e com muitos irmãos que desde o nascimento foi prometido como dízimo. Não, você não leu errado. Além dos protagonistas, acompanhamos várias outras situações, sob pontos de vistas diferentes, no decorrer dos capítulos.

Outro aspecto que contribuiu para a experiência de leitura de Fragmentados foi a capacidade do autor de despertar sentimentos no leitor. No decorrer das páginas, ao mesmo tempo que percebemos que há algo de errado com essa sociedade, é impossível evitar a avalanche de sentimentos que os personagens transmitem. Apesar das histórias diferentes, o destino de Connor, Risa e Levi segue por um caminho e a forma como o Neal Shusterman reúne este três personagens também é muito simbólica.




A construção dos personagens é excelente, inclusive aqueles que conhecemos no decorrer da história, assim como a contextualização de toda a sociedade de Fragmentados. O principal mistério do livro diz respeito a coleita, ou seja, o dia em que os adolescentes passaram pela fragmentação e sim, o autor revela este acontecimento já neste primeiro volume da série. O que não tira da história seu clima de suspense, afinal existem tantas reviravoltas que em determinado momento eu deseja loucamente ver além do cenário principal.

Existe um caráter político muito importante na história de Fragmentados e é ele que dá o gancho para o livro dois. Entre todos os motivos que me fizeram gostar do livro este foi um dos principais, porque é importante que os jovens compreendam onde vivem e o que querem do futuro e bom, muitas coisas acontecem no final desse livro. Muitas coisas fod**, devo dizer. A maioria delas serve de alerta para nós e o que temos feito para melhorar o lugar onde vivemos.




Por fim, com tantas manifestações racistas e extremas que temos presenciado ultimamente, a sociedade de Fragmentados não está assim tão longe da nossa. E isso é o mais assustador: como no contexto criado por Neal Shusterman as pessoas se contentam com uma solução fácil, que não exige muito pensamento sobre e isenta todos de responsabilidades reais.

Minha avaliação no Skoob para Fragmentados de Neal Shusterman foi de cinco estrelas e favorito. Apesar de não me considerar fã do gênero, foi uma das melhores distopias que li, senão a melhor, e espero que os próximos livros mantenham o nível deste primeiro volume e ampliem ainda mais a história e os cenários. Recomendo o livro para quem gosta de distopia, mistério e suspense, e também para os fãs de ficção científica. A história é intricada, detalhista e narrada de forma primordial. Combinação perfeita!

Beijos!

*Livro recebido da editora Novo Conceito
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