Vinte garotos no verão de Sarah Ockler

20 de agosto de 2014





Vinte garotos no verão
Na verdade, as coisas não vão embora. Elas se transformam em algo diferente. Algo mais bonito.
Autora: Sarah Ockler
Editora: Novo Conceito
Edição: 2014
Páginas: 288
Skoob | Goodreads
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Quando alguém que você ama morre, as pessoas perguntam como você está, mas não querem saber de verdade. Elas buscam a afirmação de que você está bem, de que vocêaprecia a preocupação delas, de que a vida continua. Em segredo, elas se perguntam quando a obrigação de perguntar terminará (depois de três meses, por sinal. Escrito ou não escrito, é esse o tempo que as pessoas levam para esquecer algo que você jamais esquecerá). As pessoas não querem saber que você jamais comerá bolo de aniversário de novo porque não quer apagar o sabor mágico de cobertura nos lábios beijados por ele. Que você acorda todos os dias se perguntando por que você está viva e ele não. Que na primeira tarde de suas férias de verdade você se senta diante do mar, o rosto quente sob o sol, desejando que ele lhe dê um sinal de que está tudo bem.

Vinte garotos no verão foi aquele livro que comecei sem grandes expectativas. Primeiro porque li uma enxurrada de resenhas negativas assim que o livro foi lançado por aqui, e algumas poucas positivas destacavam pontos interessantes. Neste aspecto, as coisas ficaram equivalentes. Eu tinha aquela impressão de que comigo seria um livro quase favorito, mas não aconteceu. Entre altos e baixos, cotei com três estrelas no Skoob. Não foi muito bom, mas também não chegou perto de ser chato ou ruim como livros que avalhei com uma ou duas estrelas

O livro conta a história dos irmão Frankie e Matt e da amiga Anna. Inseparáveis desde pequenos, os três fazem tudo juntos. Ainda na infância, Anna sabe que sente algo diferente por Matt, mas entende isso melhor só quando chega a adolescência. Naquela expectativa de, talvez, viver um romance com seu melhor amigo, as coisas parecem caminhar para isso no seu aniversário de 15 anos, quando eles finalmente se beijam. Vivendo um relacionamento escondido, os dois se encontram durante a noite entre suas casas e Matt pede sigilo a Anna sobre o romance e promete contar para sua irmã Frankie durante as férias de verão na Califórnia, mas.... 


… um acidente muda tudo. Em mais um dia habitual na vida dos três amigos, na volta da sorveteria, eles batem o carro e Matt morre (não, isso não é spoiler). A morte, no entanto, não foi por causa da colisão. Matt tinha problemas cardíacos e uma parada poderia ter acontecido em qualquer situação. Partindo deste ponto, logo no início do livro, imaginei que seria uma leitura envolvente, mas o elemento principal do enredo me desagradou profundamente. 

O livro gira em torno do segredo sobre o relacionamento entre Anna e Matt. Como não houve férias de verão, não houve revelação para Frankie. Anna fica muito aflita com a situação e não sabe bem como lidar com isso. Um ano depois, as duas viajam juntas para a Califórnia e Frankie tem a ideia de conhecerem um garoto por dia enquanto estão por lá. E aí temos mais um pouquinho de história. Contextualizando tudo isso, vamos ao que interessa... 


Não gostei do segredo como plot principal primeiro porque o leitor já sabe qual é o segredo e, sinceramente, não achei a situação entre as duas amigas tão limite assim. Anna poderia ter revelado a Frankie tudo sobre o relacionamento com Matt antes da viagem. Imaginei, então, que a autora colocaria conflitos intensos durante as férias, mas isso também não aconteceu. No geral, o livro tem alguns momentos tensos, mas é linear em sua maioria. É como se os personagens estivessem anestesiados, vivendo no limbo da morte de Matt e evitando qualquer conflito que possa terminar em gritos e lágrimas

Também não tive empatia pelas protagonistas. No início, temos a descrição da mudança de Frankie, mas no decorrer do livro percebemos que muito é aparência (física) e o que pode parecer (atitudes), não o que é de fato. Anna é muito passiva. Não tem voz, não tem atitude, não procura por algo significativo. Não consegue dar um passo adiante. Mesmo com as mudanças durante as férias, com aquele clima praiano e o romance no ar, ainda assim as protagonistas não me cativaram. 


Sobre os pontos positivos, gostei de como Sarah Ockler trabalhou o luto com cada personagem. Todos eles têm uma forma peculiar de encarar a perda de Matt. A narrativa é muito fluída. As páginas passam rapidamente e, quando você percebe, está chegando ao final. Apesar de não ter gostado de algumas escolhas da autora, achei muito sensato ele deixar o livro o mais realista possível. Não existe fórmula mágica para encarar a morte de alguém querido e passar por isso sem sofrer. Sarah Ockler deixa isso muito claro. 

Alguns outros elementos fazem a conexão entre passado e presente e são interessantes. Prefiro não comentar sobre eles porque fazem parte de alguns de meus momentos preferidos do livro. Minha única dica é que tem relação com o que vemos na capa. No geral, Vinte garotos no verão foi bom. Não tão bom quanto poderia ter sido, mas, ainda assim, com alguns momentos interessantes e que fazem o leitor refletir.

Beijos!
Fotos: Nine Stecanella
*Livro recebido da editora Novo Conceito
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