Axolotle atropelado de Helene Hegemann

8 de maio de 2013




Axolotle atropelado
Autora: Helene Hegemann
Editora: Intrínseca
Edição: 2011
Páginas: 208
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“Vidas terríveis são a maior das felicidades”, desabafa Mifti em seu diário. Aos dezesseis anos, ela assumiu sua condição de “garota-problema” participante da cena underground de Berlim, onde mora desde a morte da mãe. A narrativa de suas experiências, radicalmente influenciadas pelo uso de drogas diversas, faz o leitor mergulhar em uma sequência de acontecimentos paradoxais e incomuns.

Livro aleatório do mês é a nova coluna do Estante da Nine. A ideia se explica pelo título. Todos os meses, além do livro escolhido pelos leitores na enquete, eu pretendo fazer uma leitura totalmente aleatória. Basicamente parar na frente da estante, observar os livros não lidos e o que mais chamar atenção (eu imagino o livro pulando, tipo uma janela pop-up), será o escolhido aleatório do mês. Sei que muitos leitores fazem suas escolhas assim naturalmente, mas eu faço uma pré-seleção das minhas leituras do mês e os títulos que comprei há mais tempo ficam parados.









Embora este post esteja em maio, Axolotle atropelado foi o livro aleatório de abril, mês que tive a ideia de transformar em uma coluna fixa. Eu comprei o título na Bienal de São Paulo no ano passado e há algum tempo namorava ele na estante. Confesso que a leitura não foi muito agradável (e a média dele no Skoob também é baixa), mas serviu como experiência e para conhecer uma jovem autora alemã.

Em Axolotle atropelado comecemos Mifti, uma garota berlinense de 16 anos. Se você não gosta de enredos onde os jovens são ALTAMENTE destrutivos, fuja do livro. A vida da protagonista é completamente insana, os dias são passados com muitas drogas, álcool e sexo com estranhos. Desde o princípio fica bem evidente que Mifti tem um motivo importante para ter abandonado todas as convenções, mas a autora não trata de forma clara e deixa implícito ao longo de todo livro.

A narrativa é desconcertante. O leitor acompanha a história pelo ponto de vista de Mifti. Por vezes o texto tem cara de escrita em primeira pessoa, em outras, terceira. Particularmente tive dificuldade de acompanhar a ideia geral do livro no começo porque assim como a vida da protagonista é desregrada, a construção da narrativa segue a mesma ideia. Com o passar das páginas, fica mais clara a intenção da autora Helene Hegemann.

Foto: Nine Stecanella










Apesar de tudo, quando terminei a leitura não compreendi o propósito geral do livro. A autora não trata do assunto principal de forma clara, Mifti não tem uma boa evolução (praticamente nenhuma, na verdade), todas as extravagâncias da vida da personagem são possíveis graças a boa condição financeira da família e minha imagem geral do livro foi de que é apenas a reprodução de uma história impactante, mas sem uma verdadeira razão de ser.

Talvez Helene Hegemann tenha tentado expor sua geração, ou uma parcela dela e como tudo acontece no submundo de Berlim, mas nem a tentativa de mostrar a personagem como intelectualmente desenvolvida foi capaz de dar um significado maior ao livro para a minha experiência de leitura. A edição da Intrínseca no Brasil é de 2011. O livro tem uma capa bem chamativa (e até atraente), um ótimo acabamento com páginas rosa neon e boa revisão. A única ressalva fica para a diagramação. A fonte tem um bom tamanho, mas o entrelinha é simples. O livro tem apenas 200 páginas, mas o ritmo de leitura, pela narrativa e pela diagramação, é mais extenso do que o aparente.

Beijos!
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