O céu está em todo lugar de Jandy Nelson

9 de março de 2012





O céu está em todo lugar
Autora: Jandy Nelson
Editora: Novo Conceito
Edição: 2011
Páginas: 424
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Este é um livro de estreia vibrante, profundamente romântico e imperdível. Lennie Walker, de dezessete anos de idade, gasta seu tempo de forma segura e feliz às sombras de sua irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre abruptamente, Lennie é catapultada para o centro do palco de sua própria vida - e, apesar de sua inexistente história com os meninos, inesperadamente se encontra lutando para equilibrar dois. Toby era o namorado de Bailey, cujos sentimentos de tristeza Lennie também sente. Joe é o garoto novo da cidade, com um sorriso quase mágico. Um garoto a tira da tristeza, o outro se consola com ela. Mas os dois não podem colidir sem que o mundo de Lennie exploda...

Leitores, amigos e visitantes esporádicos... Jandy Nelson ganhou prêmios e mais prêmios com O céu está em todo lugar. O livro é bom, merece ser lido por "N" motivos, que vou explicar logo mais, só que me incomodou em um ponto fundamental... Sim, se você pensou "a protagonista", acertou!

Primeira consideração: o texto de Jandy Nelson faz descrições extensas e detalhadas, mas passa longe de ser chato. O ambiente bucólico na qual Lennie mora é tão incrustado na sua personalidade que seria difícil se a narrativa fosse direta e limpa. Este é um tipo de livro que permite uma linguagem mais trabalhada e portanto, mais atenção do leitor.

O fio condutor do enredo de O céu está em todo lugar é a morte da irmã mais velha, Bailey e, consequentemente, a decadência da família, que se afunda em tristeza. Mas existe outro ponto, que surge esporadicamente durante o livro, que na minha opinião deveria ter sido mais explorado: o desaparecimento da mãe de Lennie e Bailey. 

As garotas foram criadas pela avó e o tio. Tenho certeza que muitos leitores jovens vão se identificar com esses momentos, já que é muito comum mães jovens contar com o apoio de suas mães (parece confuso, mas não é) para criar os filhos. O mistério segue até o fim do livro sem ser descoberto. A avó evita falar de sua filha para as netas e pouco se descobre sobre ela ao longo da narrativa. Jandy Nelson poderia ter esclarecido uma parte do que motivou seu enredo, mas não fez.

O triângulo amoroso é sutil, por vezes romântico e na maior parte do tempo intenso e confuso como é normal de protagonistas adolescentes. Não é chato, mas irrita em alguns momentos. Lennie está completamente perdida em relação aos seus sentimentos, mas gosto da interação que a personagens tem com a natureza que cerca o lugar onde vive e os gostos nem tão comuns.

O que me incomodou em relação a Lennie foi o fato de não aceitar a morte da irmã, o que é compreensível até certo ponto, já que ninguém gosta de perder as pessoas que amam. Mas ela age de forma obsessiva. E o que me incomodou ainda mais foi ter a impressão que antes de Bailey morrer, Lennie não tinha uma personalidade. Minha impressão foi de que a personagem vivia a sombra da irmã e por isso, por exemplo, não entendeu como pode se apaixonar tão rápido. Lennie se pune mentalmente por gostar de um garoto enquanto deveria estar chorando a morte da irmã.

Minha confusão foi grande ao terminar de ler. Fiquei muito tempo pensando sobre o livro. No final de tudo, eu gostei da composição geral, tirando o fato de Lennie falar mais que Bella (Saga Crepúsculo, pra quem não sabe, embora eu acredite que todo o mundo, literalmente, saiba) de O morro dos ventos uivantes. Eu indico o livro para todos os leitores que gostem de drama e romance, mas aconselho começar a leitura sem expectativas. Apenas aproveitando página por página. 

O trabalho gráfico da Novo Conceito para O céu está em todo lugar está entre os melhores de 2011. Sobre o texto, não encontrei erros e pelo contexto, acredito que a tradução foi bem feita.

Beijos!

*Livro recebido da editora Novo Conceito, parceira do Estante da Nine
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