Doença e Cura de Fabian Balbinot

6 de janeiro de 2011




Doença e Cura
Autor: Fabian Balbinot
Editora: Alcance
Edição: 2010
Páginas: 256
| Skoob |

Acho que foi uns dez ou onze dias atrás. Eu lembro de ter visto o sangue espalhado pelo chão. Um filete de sangue vivo, quente, pulsante como se estivesse atravessando um coração. Mas estava no chão. No meio do pó e do lixo, em um dos muitos becos que há pela cidade. Uma trilha de sangue efervescente, atraente como a perspectiva de uma possível felicidade eterna, singrando a superfície escura e imunda de paralelepípedos encaixados uns ao lado dos outros. Sangue vivo, irresistível. Brilhando como um farol vermelho no meio da imundice do beco. Lembro de ter corrido de encontro a ele, a... aquilo... E lembro de tê-lo provado. Lembro até mesmo de ter lambido aquela substância adocicada, deliciosa, alucinante, direto do chão, deitando-me de bruços ao solo, como um reles animal. E, a partir daí, não lembro de mais nada... Em um submundo de sombras e poder, onde os vampiros são reais, surge uma entidade desconhecida, que perambula em uma incansável busca pelo sangue eterno dos mortos-vivos, enlouquecendo-os com pavores semelhantes aos que eles costumam infligir aos seres humanos, e usando os próprios humanos como iscas para atraí-los... Os vampiros são uma doença? Conheça e cura.

ESSE NÃO É MAIS UM LIVRO DE VAMPIROS!

Difícil falar desse livro. Ele foi o divisor de águas do fim de 2010. Conheci Doença e Cura quando o Fabian entrou em contato comigo através do Skoob. Fiquei super empolgada pois seria a primeira experiência concreta do blog com um livro para resenha. E, sem dúvida, foi uma ótima leitura.

Esse livro tem vários pontos bem particulares, e por isso é tão bom. Começando pela forma como ele é escrito. Uma mistura interessante de como contar uma história, que na verdade, tem ligação com várias outras. Assim, o enredo do livro, do meu ponto de vista, tem uma trama complexa, sim, mas totalmente ritmada e coerente. Não ao pé da letra, mas proposital, pra chegar até a ligação final, na última página, fazendo com que cada leitor interprete de uma maneira.

O alerta não é por acaso. Esse livro tem o ar dos vampiros antigos. As primeiras histórias. Vampiros com sede de sangue, sem sentimentalismos... Mas... O personagem principal dessa história é um outro ser, muito mais poderoso do que qualquer vampiro...

Um livro de suspense, e podemos dizer sim, de terror, perto da repaginação dos vampiros, versão anos 2000. Com “cenas” intensas de sofrimento, dor e morte. Tudo pela busca de uma resposta. Trechos de música também significam a história. E destaco aqui, o capítulo cinco, escrito num estilo teatral, que ficou totalmente situado dentro do desfecho final.

Se você acha que a doença pode destruir, a cura, muitas vezes, é mais nociva.

Talvez a morte fosse assim mesmo, estável, lógica, desprovida de emoção e sentimento.
página 42

A gente nasce, cresce, envelhece vivendo uma porção de situações diferentes, descobrindo coisas, e no fim das contas, morremos, e outros de nossa laia nos transformam em um mero ornamento de caixão, um petisco para a terra engolir, carne, ossos e madeira nobre, podre, tudo desaparecendo no esquecimento, coberto de humo e minhocas, capim nascendo em cima.
página 47

Beijos!