O começo de tudo de Robyn Schneider

21 de junho de 2014





O começo de tudo
Quando o chão é tirado dos nossos pés nem sempre temos a opção de cair
Autora: Robyn Schneider
Editora: Novo Conceito
Edição: 2014
Páginas: 288
Skoob | Goodreads
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O garoto de ouro Ezra Faulkner acredita que todo mundo tem uma tragédia esperando ali na esquina – um encontro fatal depois do qual tudo o que realmente importa vai acontecer. Sua tragédia particular esperou até que ele estivesse preparado para perder tudo de uma vez: em uma noite espetacular, um motorista imprudente acabou com a perna de Ezra, com sua carreira no esporte e com sua vida social. Depois que perdeu o favoritismo ao posto de rei do baile, Ezra agora almoça na mesa dos losers, onde conhece Cassidy Thorpe. Cassidy é diferente de qualquer pessoa que Ezra tenha encontrado antes – melancólica e com uma inteligência mordaz. Juntos, Ezra e Cassidy descobrem flash mobs, tesouros enterrados e um poodle que talvez seja a reencarnação do Grande Gatsby. À medida que Ezra mergulha nos novos estudos, nas novas amizades e no novo amor, aprende que algumas pessoas, assim como os livros, são difíceis de interpretar. Agora, ele precisa considerar: se uma tragédia já o atingiu, o que poderá acontecer se houver mais infortúnios?

Fiquei muito curiosa por O começo de tudo depois de ler alguns comentários da Mah (TOC por leitura) e do Henri (Na Minha Estante), quando fizeram a leitura dupla. Eu não tinha intenção de pegar o livro tão cedo, porque outros lançamentos da Novo Conceito que chegaram junto com ele me chamavam mais a atenção, mas não teve jeito, fiquei curiosa e a melhor maneira de tirar a dúvida é lendo, afinal! 

Vou pular o resumo, porque a sinopse do Skoob já dá uma boa ideia de como o livro começa e se desenvolve. Vou direto para as minhas impressões. Sim, eu gostei muito de O começo de tudo. E talvez o principal motivo seja porque é uma história simples e bem real. Ezra, o protagonista, vê tudo aquilo que imaginava para si acabar quando um acidente de carro detona sua perna (especialmente o joelho) e sua carreira no esporte. O que ele projetava para os anos seguintes já não serve mais. 

Ezra fica melancólico, claro, mas não é um personagem fatalista. Ele sempre acreditou que cada um tem sua tragédia pessoal e a dele chegou, talvez, um pouco antes do que imaginava. Então Ezra precisa aprender a viver e conviver com sua nova condição, aceitar que não faz mais parte do antigo grupo e reconhecer que, as vezes, pessoas que nunca percebemos são especiais a seu modo. 

Às vezes acho que uma tragédia vive à espreita de todo mundo; por isso, as pessoas que vão comprar leite na esquina ou que cutucam o nariz enquanto aguardam o sinal abrir estão apenas alguns minutos de um desastre. Na vida de todos, não importa o quão comum seja, existe um momento que se tornará extraordinário - um único embate após o qual tudo o que realmente é importante vai acontecer.
página 5

De modo geral, o livro conversa demais com nosso dia a dia. E escrevo no plural porque acredito que você, mesmo que não goste do livro tanto quanto eu, vá se identificar em vários momentos. Outro ponto que gostei muito é que o personagem realmente tem a personalidade de um garoto de 17 anos. Quantos livros você já leu em que o menino mais parecia uma garota? Robyn Schneider também trabalha, mesmo que superficialmente, a relação entre pais e filhos, a realidade de um lugarejo onde todos são muito parecidos, enquanto do outro lado da rua imigrantes vivem uma realidade distante da vida pacata do subúrbio. 

Ezra amadurece ao longo do livro e esse é outro aspecto importante. E isso não acontece apenas pelo acidente, mas por tudo que muda depois dele: a reaproximação de uma amizade antiga, novas pessoas entrando em sua vida e a visão de si e de como enxergava o mundo até então mudar. Claro que temos um relacionamento, que prefiro não comentar muito porque é um dos pontos mais interessantes e ao mesmo tempo me deixou chateada. E diferente de outros livros, sim, eles agem como adolescentes (obrigada Robyn Schneider pela proximidade com a vida real). 

Embora o livro tenha um desfecho parcialmente satisfatório, a parte final me deixou bastante incomodada. Não pelo rumo que ela deu aos personagens, mas como ela conduziu isso. Não posso dizer que a autora muda de ideia no último minuto, porque ela projeta a situação um pouco antes, mas ainda fiquei com a impressão de que ela pensava em um final diferente e teve vontade de mudar no meio do caminho. Acredito que essa situação vá dividir os leitores, porque ela faz sim sentido, mas eu esperava outra coisa (e não tem jeito, quando a gente pensa no final de um livro e ele não acontece como projetemos, bate aquela pontinha de decepção). 


O começo de tudo, embora seja ficção, é aquele tipo de livro para quem gosta de histórias reais. Histórias que não tem a pretensão de dar lição, mas dão mesmo assim. Aquela história imprevisível, cheia de altos e baixos, exatamente como é o dia a dia de qualquer um de nós. Aquela história movida pela curiosidade de saber o que vai acontecer a seguir, mas não pela sucessão de acontecimentos inacreditáveis, e sim, por acompanhar a vida de um personagem que teve o azar de ter sua vida destruída por culpa de outra(s) pessoa. Recomendado (acho que nem precisava escrever isso, né?)!!! 

A Novo Conceito manteve a capa da edição americana, que embora seja simples, representa incrivelmente o livro. A diagramação, fonte e entrelinha seguem o padrão da editora e no início de cada capítulo existe uma faixa cinza no topo. Existem alguns erros de revisão, mas nada grave ou que prejudique o livro.

Beijos!
Foto: Nine Stecanella
*Livro recebido da editora Novo Conceito
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