A travessia de William P. Young

15 de fevereiro de 2013





A travessia
Autor: William P. Young
Editora: Arqueiro
Edição: 2012
Páginas: 240
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Um derrame cerebral deixa Anthony Spencer, um multimilionário egocêntrico, em coma. Quando “acorda”, ele se vê em um mundo surreal habitado por um estranho, que descobre ser Jesus, e por uma idosa que é o Espírito Santo. À sua frente se descortina uma paisagem que lhe revela toda a mágoa e a tristeza de sua vida terrena. Jamais poderia ter imaginado tamanho horror. Debatendo-se contra um sofrimento emocional insuportável, ele implora por uma segunda chance. Sua prece é ouvida e ele é enviado de volta à Terra, onde viverá uma experiência de profunda comunhão com uma série de pessoas e terá a oportunidade de reexaminar a própria vida. Nessa jornada, precisará “enxergar” através dos olhos dos outros e conhecer suas visões de mundo, suas esperanças, seus medos e seus desafios. Na busca de redenção, Tony deverá usar um poder que lhe foi concedido: o de curar uma pessoa. Será que ele terá coragem de fazer a escolha certa?

A travessia é uma ficção cristã/ religiosa/ espiritual (depende mais do ponto de vista de cada leitor do que da classificação em si) escrita por William P. Young, também autor de A cabana, best-seller internacional. Recebi a prova de leitura da editora Arqueiro (minha primeira em quase quatro anos de blog) e compartilho com vocês agora minhas impressões sobre o livro. 

Acho importante escrever logo no inicio que A travessia é um livro para quem gosta do tema. Certamente se o assunto não chama sua atenção, esta não é uma leitura para você. Fiquei algum tempo sem ler nada do gênero e o livro serviu para me lembrar de alguns debates internos que nunca conclui. Fiquei bem envolvida com o início da narrativa, mas da metade para o final o rumo não foi aquilo que eu esperava. Porém, isso é muito pessoal e vai envolver suas crenças (caso você tenha alguma).

Foto: Nine Stecanella

Em A travessia conhecemos Anthony Spencer um empresário bem sucedido, rico e cético que tem a certeza de estar sendo perseguido. Com essa convicção, o personagem repassa seu testamento várias e várias vezes, avaliando quem merece ou não parte do seu império. Através destas reflexões percebemos como o protagonista é inseguro e como a falta de confiança em outras pessoas interferiu na sua personalidade. 

Porém, mesmo com um aparato de segurança incrível, Anthony é pego. Ferido, é levado para o hospital em coma. E então começa sua travessia. Embora óbvio, muitos autores usam o coma como uma fase de transição (não apenas em livros, mas em séries e filmes também). Neste caso, William P. Young coloca seu protagonista diante de uma paisagem exuberante e com vários caminhos a seguir. 

A travessia é daqueles livros que alguns pontos do enredo precisam ficar ocultos para que cada um conduza a leitura da forma mais pessoal possível. O que mais gostei foi o fato de Anthony não acreditar imediatamente no que sua visão e a própria situação sugerem. Especialmente porque ele foi praticamente cético a vida toda. Ele reluta muito em encarar a situação como de fato ela é e sempre procura pensamentos lógicos para explicar o que está à sua frente (tudo isso acontecendo “dentro” de seu coma). 

O livro também traz alguns debates pontuais sobre crença, sobre Jesus, Deus e o Espírito Santo (para que leu A cabana, vai encontrar várias referências), sobre reconhecer defeitos e valores. Por momentos o tom irônico do texto destoou do assunto e isso me deixou um pouco incomodada. Também há uma mistura de crenças diferentes no livro, como se o autor quisesse justificar que independentemente dos meios, o importante é perceber o que tem valor no final. 

Pessoalmente não gostei do desfecho final. Alguns elementos são interessantes e novos personagens ganham espaço, mas senti uma quebra na ideia principal do enredo (a ficção mesmo, a história que ele criou como pano de fundo). O final do livro em si é ok. Não foi o que eu esperava, mas foi coerente com as pistas que o autor escreveu nas últimas páginas. Se você gostou de A cabana, vale ler A travessia.

Beijos!

*Livro recebido da editora Arqueiro
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