Umas e outras de Rônei Rocha

10 de novembro de 2011






Umas e outras
Autor: Rônei Rocha
Editora: Proa
Edição: 2011
Páginas: 104
| SKOOB |
Este livro traz vinte e sete textos que o Dr. Rônei publicou no jornal Tribuna, em Uruguaiana, RS, e, de lambuja, outros três inéditos. O livro é povoado por temas do cotidiano, aqueles mesmos que se discute em família — coisa cada vez mais rara — ou no bate-papo da roda de amigos. Trata de coisas comuns, com as quais estamos sempre nos deparando e questionando. Ainda que, na maioria das vezes, o viés profissional esteja subjacente, como quando frequenta o universo doméstico para falar das relações familiares ou quando mergulha no inferno dos drogados, alcoólatras e suicidas em potencial, em outras crônicas se encontra o cidadão, preocupado com o país e com os políticos e também o homem comum que adora misturar-se à multidão para conhecer gente.

Mais um livro curto e ótimo. Outra resenha difícil. 

Eu tenho uma afinidade muito grande com crônicas. Talvez porque desde cedo tenha lido muitas delas ou, quem sabe, se é porque todas fazem algum sentido para o leitor. O fato é: o livro me surpreendeu muito. Primeiro porque o autor Rônei Rocha é psiquiatra e pensei que todas as crônicas fossem pender para o lado mais técnico. Me enganei. 

O autor conduz cada crônica com uma simplicidade impressionante e ao mesmo tempo aborda assuntos que fazem parte da vida de qualquer pessoa. Alguns temas delicados e outros intensos. Porém, todos pertinentes para uma discussão. Outro ponto importante, que na minha opinião é indispensável para o autor de crônica, é a acessibilidade a todos os tipos de leitores e Rônei Rocha faz isso com perfeição. 

Umas e outras pode ser lido por uma criança, adolescente, adulto ou idoso. Pelos moradores de Uruguaiana, Caxias do Sul, Porto Alegre, Salvador, Recife ou Manaus. Ele ultrapassa as barreiras do regionalismo. E nada melhor que escrever alguns trechos aqui! Aproveitem. Super indicado!

No início da faculdade de medicina, os calouros parecem misses desejando a paz mundial e a erradicação da fome, quase todos alegando, cheios de boa intenção, terem decidido ser médicos para poder ajudar as pessoas, ou outras razões igualmente nobres. É raro encontrar alguém que almeje fama ou riqueza.
página 15
Eu achava que a definição de fofoca fosse mais branda que a de difamação e calúnia, porém o Houaiss não perdoa, são todas cabeludas. Na minha humilde forma de pensar, tem diferença entre fofoca inofensiva e maldosa.
página 41
Hoje a bipolaridade é a top model da psiquiatria. Está nas capas das revistas, famosos declaram que a têm, todos falam dela, se comparam, se testam: e, ironicamente, quem é bipolar acredita que, na verdade, não é; e quem não é, suspeita que seja.
página 52

Beijos!