Quase uma rockstar de Matthew Quick

27 de maio de 2015



Quase uma rockstar
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Edição: 2015
Páginas: 256
Skoob | Goodreads
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Desde que o namorado da mãe as expulsou de casa, Amber Appleton, a mãe e o cachorro moram em um ônibus escolar. Aos dezessete anos e no segundo ano do ensino médio, Amber se autoproclama princesa da esperança e é dona de um otimismo incansável, mas quando uma tragédia faz seu mundo desabar por completo, ela não consegue mais enxergar a vida com os mesmos olhos. Será que no meio de tanta tristeza e sofrimento Amber vai recuperar a fé na vida? Com personagens cativantes e uma protagonista apaixonante, Matthew Quick constrói de forma encantadora um universo de risadas, lealdade e esperança conquistada a duras penas.

Olá pessoal, tudo bem? Quem acompanha o Estante da Nine nas redes sociais sabe que, volta e meia, eu faço enquetes rápidas para saber o que vocês querem ver primeiro por aqui. A “batalha” de hoje era entre Eve e Adam e Quase uma rockstar e, até o momento em que sentei para escrever este texto, Quase uma rockstar estava ganhando por um voto e é sobre ele que vamos conversar hoje. A sinopse do livro no Skoob resume bem o ponto de partida, então vamos ao que interessa.

Quase uma rockstar foi minha primeira experiência com Matthew Quick, um dos autores mais comentados e adorados dos últimos anos. E, sinceramente, ainda não sei dizer se gostei ou não do livro. Eu não amei, isso posso dizer (escrever, no caso) com certeza, mas gostei de tantos aspectos da história que fica difícil explicar. É uma contradição. Tá, vou confessar, meu principal problema foi a protagonista Amber.


O livro é narrado em primeira pessoa pela protagonista. Amber vive uma situação extrema, para não dizer deprimente, com sua mãe. E apesar de ter todos os motivos para ser uma garota rebelde, é exatamente o contrário. Bondosa, prestativa e animada, Amber não quer deixar transparecer como sua vida é difícil. Ok, é o tipo de personagem que nos inspira, certo?! Errado. Eu não gostei de Amber, do modo que pensa e se comporta, da maneira como encara certas situações da vida. Claro que isso é normal e acontece com todos nós, leitores. Na verdade, Matthew Quick não me convenceu de que eu deveria torcer ou mesmo prestar atenção em Amber. Ela é o tipo de personagem que EU não consigo gostar, sabe?!

Ainda sobre a protagonista, achei interessante o autor explorar a religiosidade através de Amber. No entanto, não gostei de como a personagem se relaciona com Jesus e Deus, etc. Para uma garota de 17 anos, achei lúdica demais. A admiração de Amber por Donna é obsessiva e me incomodou. É importante ter exemplos, claro, mas é como se ela quisesse copiar exatamente a vida da outra. E para terminar este trecho sobre Amber, gostei de como a personagem tem empolgação e ímpeto em se aproximar das pessoas e entender suas limitações, mas prefere não contar suas dificuldades e vive momentos difíceis por isso.

"A vida sempre fica mais difícil perto do auge. O frio aumenta, assim como as responsabilidades." Isso também é de Nietzsche. Você ainda nem começou a sentir dor, minha jovem, mas vai sentir. Vai sentir dor. A vida é um inferno, e a sua acabou de começar.
página 91

Mas Quase uma rockstar é mais do que sua protagonista. Matthew Quick explora temas delicados como autismo, limitação motora, exclusão e bullying, no contexto escolar; a vida de idosos esquecidos pelas famílias, as dificuldades de mães em criar seus filhos, vidas marcadas pela guerra e um mundo onde, aparentemente, é difícil ter esperanças. Amber é o elemento que une tudo isso. Claro que, ao longo do livro, a protagonista amadurece e devo dizer que gostei muito do final.

Existe uma situação chave que é o grande momento de virada do livro. Ao mesmo tempo que o leitor percebe que algo grave está prestes a acontecer, a solução para o impasse foi relativamente fácil. Foi o único trecho de Quase uma rockstar que eu gostaria de ter visto mais detalhado (ou melhor explicado). Outro ponto positivo do livro é que a narrativa em primeira pessoa é bem particular e dá a impressão de uma garota de 17 anos; com gírias e figuras de linguagens que Amber usa no dia a dia; com redação de escola e haicai. A diversidade de personagens é ótima. Em determinado ponto do livro eu estava lendo, principalmente, por curiosidade em conhecer as outras histórias. A relação de Amber com seu cachorro foi o ponto que me aproximou da protagonista e tem um desfecho interessante.


Naquela indecisão entre ter adorado o enredo e a narrativa, mas não ter gostado da Amber, minha nota (temporária) no Skoob é de três estrelas. Talvez eu tenha lido Quase uma rockstar em um momento de descrença, diríamos assim. Então foi bem, bem difícil interagir com a personagem e entender seus sentimentos. Ainda assim, é uma leitura que recomendo principalmente para que gosta de livros jovem adulto e de histórias com acontecimentos dramáticos e marcantes. E sem dúvida, Quase uma rockstar é altamente recomendado para você que sempre se mantém alegre e otimista, e para o leitor oposto.

A edição da Intrínseca é ótima. A capa é significativa, e faz muito sentido principalmente depois de ler o livro (é a mesma da edição em inglês - americana). A diagramação tem trechos com fonte e entrelinha diferentes para indicar outros formatos de texto dentro da narrativa e as páginas são amarelas (polén soft). A minha primeira experiência com Matthew Quick foi boa e quero sim ler outros livros do autor! E vocês, já leram Quase uma rockstar? Querem ler? Participem nos comentários!

Beijos!

Fotos: Nine Stecanella
*Livro recebido da editora Intrínseca
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