Belo desastre de Jamie McGuire

5 de novembro de 2012






Belo desastre
Autora: Jamie McGuire
Editora: Verus
Edição: 2012
Páginas: 392
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Abby Abernathy é uma boa garota. Ela não bebe nem fala palavrão, e tem a quantidade apropriada de cardigãs no guarda-roupa. Abby acredita que seu passado sombrio está bem distante, mas, quando se muda para uma nova cidade com America, sua melhor amiga, para cursar a faculdade, seu recomeço é rapidamente ameaçado pelo bad boy da universidade. Travis Maddox, com seu abdômen definido e seus braços tatuados, é exatamente o que Abby precisa – e deseja – evitar. Ele passa as noites ganhando dinheiro em um clube da luta e os dias seduzindo as garotas da faculdade. Intrigado com a resistência de Abby ao seu charme, Travis a atrai com uma aposta. Se ele perder, terá que ficar sem sexo por um mês. Se ela perder, deverá morar no apartamento dele pelo mesmo período. Qualquer que seja o resultado da aposta, Travis nem imagina que finalmente encontrou uma adversária à altura. E é então que eles se envolvem em uma relação intensa e conturbada, que pode acabar levando-os à loucura.



Controverso e viciante. Essas são as melhores palavras que encontrei para definir Belo Desastre. Em primeiro lugar preciso explicar para você, leitor do Estante da Nine, que antes de comprar o livro e, enfim, decidir lê-lo, acompanhei e assisti muitas resenhas e comentários. De certa forma, eu já sabia o que esperar. Mas minha interpretação foi, em parte, diferente da maioria dos leitores. 

Os protagonistas de Belo Desastre, Travis e Abby, são a primeira vista (e até metade do livro), opostos. Ele, o bad boy da faculdade, no maior estilo autodestrutivo. Ela, a menina ingênua que se mudou de muito longe para começar uma vida nova e com um grande segredo acerca de seu passado. Fica evidente, desde o primeiro encontro do casal, a tensão, a atração e o próprio tesão que a autora criou entre eles. E é aí que começa a escrita viciante. Não pude largar o livro até saber o desfecho da história, mesmo me decepcionando da metade para o final. 

Os personagens secundários da trama também são importantes (e, portanto, nem tão secundários assim). Especialmente a melhor amiga de Abby, America, e o primo de Travis, Shepley. Finch, Parker e a família Maddox também figuram em algumas cenas, assim como, colegas de faculdade. 

Embora pareça (e seja) clichê o romance entre Travis e Abby, há uma razão. Ao mesmo tempo que a garota se sente atraída pelo bad boy, ela tenta, de todas as formas, não chamar sua atenção. Negar um envolvimento. E para isso, enfrenta Travis de todas as maneiras. E é exatamente isso que chama a atenção do protagonista. A ótima narrativa de Jamie McGuire contribuí para que Belo Desastre se destaque entre muitos livros do gênero e com o mesmo tema. O mistério sobre o passado de Abby também sugere que ela conhece bem tipos como Travis Maddox. 

Desde o começo do livro a autora cria um cenário que divide os leitores. Alguns apostam no romance. Outros torcem pelo casal seguir rumos distintos. As atitudes impulsivas de Travis e o empate de Abby são as características mais marcantes de cada um. E são elas que criam o clima de tensão ao longo de toda narrativa. 

A partir da metade do livro, a autora aprofunda mais a personalidade de cada personagem e traz a tona elementos do passado de cada um. Foi neste ponto que me decepcionei com Belo Desastre. Abby não é a garota ingênua que aparenta no início (isso não tem nada a ver com ser virgem ou não). Algumas atitudes em relação ao protagonista, apresentadas na primeira metade, se tornam incoerentes. Travis é mais que um cara que ganha dinheiro em lutas clandestinas e transa com todas as garotas da faculdade. 

Não achei o relacionamento entre Travis e Abby abusivo (no sentido real da palavra) em nenhum ponto (muito menos o de America com Shepley). A questão toda, na minha opinião, é a impulsividade de Travis, um traço marcante de sua personalidade, e o ciúme, esse sim, que permeia o relacionamento dele com Abby e é preocupante. Também não achei Travis tão canalha como a maioria dos leitores, primeiro porque fica bem evidente, através da narrativa, que são as garotas que correm atrás dele. E segundo porque ele não faz promessas de ficar com nenhuma delas. 

Embora os personagens tentem mudar ao longo das quase 400 páginas, isso não acontece. Eles são como são. Isso aproxima o livro da vida real e é um dos pontos que mais gostei (e também não gostei, deu para entender?). A narrativa é viciante justamente porque o relacionamento de Travis e Abby é incoerente. Em um capítulo eles estão bem. No próximo, estão fazendo a maior cena. E isso causa um impacto nos personagens mais próximos ao casal. É como uma avalanche. O leitor quer saber qual vai ser o próximo “episódio” do relacionamento deles. 

Li o livro muito rápido (para os meus padrões e meu tempo). Não encontrei muitos erros de revisão. Pelo menos não marquei nenhum que fosse realmente absurdo. O livro tem uma boa diagramação. A capa, embora bonita e mantida a original, poderia ser diferente. É claro que a analogia apresentada é compreensível, mas poderia ser adaptada para algo mais próximo da narrativa. 

Na versão em português, o apelido que Travis usa para chamar Abby é beija-flor (ou, apenas, flor). É difícil se acostumar com essa linguagem no início do livro, já que destoa da personalidade do protagonista. Li na resenha da Mari (O blog da Mari) que no texto original, em inglês, a palavra é pombo (pigeon). Ou seja, a adaptação para beija-flor (em português) ficou muito melhor. Tudo isso é para complementar a ideia da capa, que poderia ser ainda mais simbólica. 

Sobre o final... Ainda penso sobre ele. Eu, EU (Janine Apª Bastos Stecanella), achei bem coerente, diante de tudo que a autora apresentou ao longo da narrativa. Mas, com toda a sinceridade, não sei se era o final que eu gostaria de ver (ler). Enfim! Boatos sobre a adaptação do livro já correm por aí. A Mari (O blog da Mari) também destacou um link da revista Veja que fala sobre os direitos comprados pela Warner. Vamos aguardar! 

Para finalizar essa enorme resenha, não achei a parte sexual nada demais. Nada picante e tudo bem convencional. Visto que é um livro jovem, poderia ter passagens mais picantes, contudo, ao que parece, a autora se policiou para ampliar a faixa etária do livro. 

Apesar da metade final, que me desagradou, e mais uma vez, isso é uma interpretação muito pessoal, é um bom livro. Acima da média, sem dúvida. Especialmente pelo relacionamento atípico e longe do modelo “contos de fadas”. Leitura indicada! Está previsto um segundo volume, Walking Disaster, sob a visão de Travis. Vamos esperar pelo lançamento no Brasil.

Beijos!
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