2012 – O menino que previu o apocalipse de Ricardo Valverde

20 de novembro de 2012






2012 - O menino que previu o apocalipse
Autor: Ricardo Valverde
Editora: Novo Século
Edição: 2012
Páginas: 248
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Ao longo dos tempos, inúmeros profetas, cientistas, filósofos e religiosos vêm tentando avisar às gerações futuras, por meio de códigos e mensagens ocultas, de que o fim de nossa era pode estar mais próximo do que imaginamos. E todas as evidências apontam para o dia 21 de dezembro de 2012 como a data do apocalipse. Por quê? O que acontecerá nesta data? Por que tantas pessoas acreditam que este dia não nascerá como os demais? Um menino vivendo em nossa época pode ter as respostas para todas essas perguntas. Quem na verdade é esse menino? De quem ele herdara tal maldição? O que estaria reservado para o dia de seu décimo sétimo aniversário, em 21 de dezembro de 2012?

Profecias, apocalipse e um toque de espiritualidade (o leitor também pode interpretar como religiosidade). Os pontos principais de 2012 - O menino que previu o apocalipse já tinham me conquistando antes mesmo de ler o livro, especialmente porque é um dos meu temas favoritos. Comecei a leitura com altas expectativas e, felizmente, não me decepcionei. 

O primeiro ponto (e em minha opinião o mais importante) é que fica claro para o leitor a maturidade de Ricardo Valverde ao escrever o livro. Além da extensa pesquisa e das próprias viagens, a cidade do Cairo é apresentada sem aquele tom de superficialidade. Conseguimos, ao ler, sentir a atmosfera e as peculiaridades do país e de seus personagem. 

Eu, particularmente, tenho afinidade com histórias dividas em fases (neste caso, em anos). Em 2012 - O menino que previu o apocalipse, acompanhamos o crescimento de Michael, e, essas etapas, mostram ao leitor as grandes mudanças na vida do garoto. A passagem de tempo foi um elemento acertado e teve a dose certa de informações para não soar artificial e incompleto. 

O protagonista, Michael, também foi uma boa surpresa. Confesso que no início tive certa resistência ao personagem, especialmente por sua incrível maturidade desde a infância. Ao longo das páginas, no entanto, vamos descobrindo segredos, sendo surpreendidos pelo autor (os mesmos sentimentos do protagonista) e entendendo todos os motivos que compõem o caráter de Michael

O romance é singelo. Uma história que começa na infância dos personagens e que vai crescendo à medida que eles amadurecem. É interessante observar histórias dessa perspectiva em uma época em que os livros exaltam o amor no primeiro encontro. Eu gostei muito do desenvolvimento de Ricardo Valverde. Foi coerente com toda proposta do livro. E ele ainda surpreende o leitor com um desfecho inesperado (pelo menos pra mim) para o casal. 

O contexto apocalíptico do livro está intimamente ligado com a espiritualidade (como falei acima, também pode ser interpretado como religiosidade). Mas em momento nenhum senti aquele tom doutrinador no texto do autor. Histórias de apocalipse sempre tem uma relação ao descontrole do homem e a falta de fé no próximo. E em 2012 - O menino que previu o apocalipse não foi diferente. 

Como falei no início desta resenha, eu já tinha uma forte tendência a gostar do livro e as minhas expectativas se confirmaram. Sem dúvida, indico a leitura para quem gosta do tema e para o leitor que tem curiosidade em conhecer mais sobre essa vertente da ficção. 

A edição da Novo Século tem uma ótima capa, boa diagramação e folhas amarelas. Diferente de outros títulos da editora, a revisão está dentro das expectativas e não encontrei nenhum erro gravíssimo de português ou concordância.

Beijo!
*Livro recebido do autor Ricardo Valverde