12 de novembro de 2018

O vermelho e o negro de Stendhal



O vermelho e o negro
Autor: Stendhal
Tradutor: Raquel Prado
Editora: Abril Coleções
Edição: 2010
Páginas: 630
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O trágico destino de Julian Sorel, protagonista deste romance, foi baseado em fatos reais (na vida do jovem seminarista Antoine Berthet, que assassinou a ex-amante). Stendhal tensiona sua saga romântica com a realidade da França da Restauração pós-napoleônica, política e moralmente conservadora.

O cenário é a França de 1830 e o livro conta a história de Julien Sorel, filho de gente humilde – o pai é carpinteiro e tem certa estabilidade financeira, mas não é simpático ao filho. O protagonista vê na religião a chance de mudar de vida, porém as coisas nem sempre acontecem como o planejado e Julien é o exemplo de destino desastroso.



A primeira parte do livro, além da apresentação do personagem é também onde o grande conflito moral começa, já que Julien mantém um relacionamento com a mulher do chefe, o prefeito da cidade, que o contratou como professor dos filhos. É nesse trecho que algumas críticas a sociedade francesa ficam evidentes como:

  •  o aumento da riqueza através da política;
  • o uso da religião para ascenção social;
  • casamento por interesse;
  • troca de favores;
  • adultério.

Para Julien, fazer fortuna siginificava antes de mais nada sair de Vèrrieres; abominava a cidade natal. Tudo que via ali gelava sua imaginação.
página 44

O segundo momento da história é com Julien no seminário, depois de um desfecho desagradável no primeiro emprego. O ambiente reúne uma diversidade de garotos e homens com interesses variados e praticamente nenhum esta na carreira pela fé. Os meninos são moedas de trocas para os padres e são ensinados a se comportar de determinada maneira. Os interesses variam entre os seminaristas como:

  • fuga da pobreza;
  • crescimento social;
  • terras;
  • títulos;
  • influência política.

Quase todos eram filhos de camponeses que achavam melhor ganhar o pão de cada dia recitando algumas palavras latinas do que cavando a terra.
página 223

O terceiro e último trecho do livro, ou pelo menos da divisão que fiz durante a leitura, é com Julien já sacerdote e secretário pessoal de um marquês. Se envolve com a filha do chefe e chega perto de realizar seus desejos de estabilidade social e admiração entre a nobreza, mas o que acontece na verdade sela a ruína de Julien.

Que amor é esse que provoca bocejos?
página 382

Algumas outras considerações importantes sobre essa experiência de leitura:


  • por ter demorado consideravelmente para concluir O vermelho e o negro eu não tenha aproveitado essa leitura como deveria, ainda sim o enredo de Stendhal é ácido, crítico e até melancólico;
  • a cada trecho novos cenários e personagens são apresentados, o que arrastou a minha leitura em vários momentos, principalmente porque eu estava mais interessada nas reflexões pessoais de Julien e o personagem precisava lidar com regras e hierarquias;




  • Julien não é exatamente um personagem admirável, tão pouco a pior personalidade entre as figuras apresentadas ao leitor. Todas as pessoas que são relevantes para a história ou para a vida do jovem são extremamente humanas e talvez exatamente por isso nem tão boas, ou melhor, extramente egoístas;
  • a falta de poder de Julien sobre sua vida e decisões é uma angústia para o leitor que espera uma reação do jovem, que a cada páginas se complica com as pessoas ao seu redor, inclusive quem vê nele alguém em quem se apostar;

A morte em si não era horrível aos seus olhos. Toda a sua vida tinha sido uma longa preparação para a desgraça, e ele se esquecera daquela que passa pela pior de todas.
página 553

  • a hipocrisia da sociedade francesa sem dúvida é um dos elementos mais significativo do enredo, que mostra como e quando uma pessoa usa julgamentos diferentes para uma mesma situação ou acontecimento. Mais uma vez: todos os personagens priorizam seus interesses pessoais acima de tudo;
  • a perdição pelo ego e pelo poder é o grande tema do livro e junto com ele o que uma pessoa é capaz de fazer para alcançar seus objetivos, mesmo que isso também signifique a ruína.

O vermelho e o negro de Stendhal é um calhamaço que esperou uns bons anos na estante até ser lido, e como foi um desafio e tanto, fico feliz por ter chegado ao final depois de meses. Minha nota para a história foi de quatro estrelas no Skoob, o clássico que me deixou dividida (ainda, na verdade), sobre amar ou odiar o que os autores franceses fazem com seus personagens. Já leu O vermelho e o negro?

Vídeo de opinião publicado no canal do Estante da Nine

Beijos!

Fotos: Nine Stecanella
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