Agora eu morro de Fabio Brust

19 de abril de 2011




Agora eu morro
Autor: Fabio Brust
Editora: Novo Século [Novos Talentos da Literatura Brasileira]
Edição: 2010
Páginas: 360
| Skoob |

Em uma grande cidade, quatro pessoas tentam sobreviver ao terrível ano de 2033, quando grande parte dos problemas mundiais - entre eles, a falta de água e o aquecimento global - explodem junto de uma bomba de hidrogênio em Berlim. A radiação se espalha pelo mundo e atinge, também, Nova York, onde Char - uma clone mulher prestes a morrer -, Liel - um mexicano que tentou matar o presidente norte-americano - e Yuma - uma estudante japonesa que, depois de um trauma, vira uma assassina - tentam sobreviver. Enquanto isso, o quarto personagem, Imort, tenta morrer, e dá sua voz para contar a história de "Agora eu Morro", que, apesar de tratar da morte, fala, principalmente, a respeito da vida.

Agora eu morro foi um livro que superou minhas expectativas. Aliás, outro livro, de uma lista que está ficando cada vez maior. Não posso deixar de dizer que foi principalmente pelo fato de Fabio Brust ser tão jovem e mesmo assim ter escrito uma história bem intensa e cheia de críticas. 

O livro trata da luta pela sobrevivência em um mundo onde água e comida são raridades. Onde quem ainda conserva um pouco de sanidade luta contra os sedentos: os zumbis da água. Onde a vida está acima de tudo, como nos primórdios da humanidade. Um mundo onde os clones são seres de reposição, existe um [ou dois] seres imortais e onde ainda existe amor, mesmo parecendo impossível. 

Quem narra é Imort. Ou Imortal. Prefere ser chamado assim do que pelo nome. Um homem que vive por muito tempo na Terra e que acompanhou todos os grandes desastres nos últimos dois mil anos. Um ser que acima de tudo busca pela morte. Pela paz eterna. Pelo descanso. 

O livro é uma mistura dos pensamentos de Imort, sobre si e sobre sua obsessão em morrer. Sobre a mudança que a clone Char causa em sua vida, sobre a relação conturbada com Liel e a amizade com Yuma. Sobre o que levou a Terra ao colapso e como a prepotência humana foi a queda do nosso mundo. 

Não considero Agora eu morro um romance (história de amor, no caso), embora ele exista e seja importante na parte final. Considero mais um drama, e depois uma aventura, em busca de outros sobreviventes. Em busca de explicação e acima de tudo em busca da morte. Se pudesse resumir, diria que é um ótimo livro pra refletir sobre o que cada um faz. Será que realmente estamos preocupados com o futuro do planeta?

Nomes, datas não importam. O que importa é o que acontece, o que se vive. Você não se lembra do nome de seus pais, mas de coisas que aconteceram entre você e eles.
página 80

PARA VER E OUVIR
*um livro pra pensar, uma música idem



Beijos!