Os senhores da razão

3 de maio de 2009


Hola, que tal?!
Pessoal, eu ia fazer um post sobre o tão aclamado aeroporto (político) regional, mas diante dos fatos que li recentemente (ontem) resolvi mudar o assunto.

Por ser assinante da Abril, recebo muitas vezes exemplares da Veja gratuitos (lógico que eu não pagaria R$1 pela revista, salvo pelas colunas da Lya Luft que leio na internet). O que me surpreendeu, apesar dos apesares, foi uma matéria da seção livros. Todos aqui já sabemos a posição nada imparcial da revista. Então vamos lá.

O livro em questão é do jornalista e historiador Jonathan Fenby, sob o título, em português, OS TRÊS GRANDES. Fenby detalha a relação entre três grandes figuras históricas dos idos do século passado, precisamente da Segunda Guerra Mundial (1939-1945): Winston Churchill, Josef Stalin e Franklin Delano Rooselvelt. Até aí, tudo bem. Nós sabemos que em uma guerra, no fundo não há 'bonzinhos' nem 'mauzinhos'. Todos defendem seus motivos e pontos de vista. O que me chamou a atenção foram duas colocações, a primeira ainda no complemento do título, terminada da seguinte forma:

“(...). Mas não se perde de vista o fundamental: o mundo é um lugar melhor porque eles venceram”.

A segunda relata o seguinte:

“(...) No Brasil, essa impressão de relativa irrelevância, ainda mais forte, subjaz a um amplo desconhecimento e leva um sem-número de pessoas a opinar irresponsavelmente e fora do contexto a respeito de episódios isolados. Daí a facilidade com a qual passam a julgamentos sobre o bombardeio de Dresden ou a devastação nuclear de Hiroshima e Nagasaki. (...)”

Ao terminar de ler isso quase não acreditei no que estava escrito. Com todo respeito ao Nelson Ascher, redator da matéria, mas não pode ser real. Como sabemos se não poderia ser melhor se o outro bloco ganhasse? (Claro que não acho que seria melhor, apenas acho que no fundo não seria assim tão diferente). Como se justifica a devastação de duas cidade, com gente que não entendia o real significado da guerra?

Sinceramente, não sei onde nosso jornalismo vai parar, se a maior revista em circulação no país expressa sua visão dessa maneira e seus fiéis discípulos lêem como se fosse a Bíblia do nosso tempo.

Fonte: Revista Veja, edição 2111, 6 de maio de 2009